O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) tem utilizado o VeriWatch — um smartwatch da empresa BI Inc. — para vigiar imigrantes inscritas no programa Alternativa à Detenção (ATD), inclusive durante o trabalho de parto. Profissionais de saúde relatam que o equipamento, que só pode ser removido por agentes do governo ou da fabricante, tem provocado pânico, atrasos em procedimentos de emergência e confusão em hospitais.
Medo no centro cirúrgico
Em um hospital do Colorado, uma gestante entrou em desespero ao ser informada de que o relógio precisaria ser retirado antes de uma cesariana. Segundo a equipe médica, a paciente chorava, temendo que o ICE interpretasse a retirada como tentativa de fuga e levasse o bebê. A impossibilidade de remover o dispositivo sem autorização oficial postergou o procedimento.
O risco não é isolado. Funcionários ressaltam que, em partos, uma cesariana feita 20 minutos antes de uma complicação grave pode evitar sequelas à mãe e ao recém-nascido. Um alarme de bateria fraca já disparou durante o parto de uma mulher grávida de nove meses, aumentando a apreensão sobre possíveis punições por falhas técnicas.
Como funciona o monitoramento
O ATD já chegou a controlar quase 370 mil pessoas e, hoje, acompanha cerca de 180 mil. As medidas incluem:
- Uso obrigatório do smartwatch VeriWatch, que não pode ser retirado pela própria pessoa;
- Verificações de reconhecimento facial por aplicativo;
- Comparecimentos presenciais regulares;
- Tornozeleiras eletrônicas que também exigem autorização para remoção, mesmo em emergências médicas.
Impacto na saúde pública
Hospitais e centros comunitários em diversos estados apontam efeitos diretos na procura por atendimento. Em Chicago, organizações voluntárias registraram queda de 30% nas consultas e na retirada de medicamentos por imigrantes monitorados. Profissionais associam a redução ao receio de violações inadvertidas das regras do ICE.
O problema não se limita às gestantes. Em 2025, um homem que recebeu recomendação médica para retirar a tornozeleira eletrônica foi detido depois de solicitar orientação ao próprio ICE sobre o procedimento.
Imagem: Krakens.com
Questionados pelo The Guardian, o ICE e a BI Inc. não responderam sobre os atrasos e complicações relatados.
As denúncias reforçam a preocupação de médicos e defensores de direitos humanos sobre o impacto da vigilância eletrônica em situações de emergência, especialmente para pacientes que já enfrentam barreiras linguísticas, financeiras e legais.
Com informações de WizyThec

