A Nvidia, líder no mercado de semicondutores para inteligência artificial, enfrenta crescente pressão de concorrentes depois de atingir valor de mercado de US$ 5 trilhões no fim de outubro. Desde então, suas ações caíram cerca de 12%, refletindo preocupações de investidores sobre a sustentabilidade do atual boom de IA e a entrada de novos rivais.
A ameaça mais recente parte do Google, que pretende comercializar suas Tensor Processing Units (TPUs) — chips de IA utilizados internamente há vários anos. A expansão da Alphabet no segmento de semicondutores intensifica a disputa por infraestrutura de IA.
Lucros elevados ainda sustentam a Nvidia
Nos últimos quatro trimestres, a Nvidia registrou mais de US$ 110 bilhões em lucro operacional, com margem de 59%, muito acima da média de 25% do setor. As margens brutas atingiram 70%, impulsionadas pelo forte desempenho de soluções para data centers e pelo pacote de softwares proprietários que acompanha suas GPUs.
Múltiplos podem encolher
A companhia negocia atualmente a cerca de 26 vezes o lucro projetado — um múltiplo historicamente baixo para a própria Nvidia, porém sustentado por expectativas que podem ser revistas para baixo se a concorrência puxar os preços para baixo.
AMD ganha terreno
A AMD desponta como concorrente direta com a linha de aceleradores MI450, já apoiada por clientes como a OpenAI. Como trabalha com margens menores, a empresa tem espaço para oferecer valores mais agressivos e atrair participação de mercado.
Google e outros gigantes aumentam a disputa
Além da AMD, o movimento do Google adiciona outra camada de pressão. A Alphabet possui o maior fluxo de caixa operacional do S&P 500 — cerca de US$ 151 bilhões — e recursos para sustentar um avanço prolongado. Captar clientes como a Meta, uma das maiores compradoras das GPUs da Nvidia, seria um golpe relevante para a atual líder.
Imagem: RYO Alexandre
Apesar dessa ofensiva, o Google continua sendo um dos principais clientes da Nvidia, gastando estimados US$ 20 bilhões por ano em hardware da empresa. No entanto, com o surgimento de novas soluções da AMD, do Google e do Trainium 3 da Amazon, analistas avaliam que manter margens próximas de 70% será cada vez mais desafiador para a Nvidia.
Enquanto o mercado de chips de IA fica mais competitivo, investidores acompanham de perto o impacto desses lançamentos na estratégia de preços e na lucratividade da companhia sediada em Santa Clara.
Com informações de WizyThec

