Um estudo publicado recentemente na revista Current Biology descreve uma estratégia de parasitismo social em que formigas operárias eliminam a própria rainha depois de serem manipuladas por uma rainha invasora. A descoberta partiu de uma filmagem amadora do japonês Taku Shimada e foi aprofundada pelos ecologistas comportamentais Keizo Takasuka e Yuji Tanaka, da Universidade de Kyushu.
Como ocorre a invasão
A pesquisa concentrou-se em colônias da espécie Lasius flavus que, ao serem infiltradas por uma rainha recém-acasalada de Lasius orientalis, passaram a atacar a matriarca original. Ao entrar no formigueiro, a invasora primeiro absorve o odor químico característico do ninho, evitando ser identificada como estranha. Em seguida, aproxima-se da rainha legítima e lança um jato de fluido abdominal fétido, possivelmente rico em ácido fórmico.
O líquido altera o perfil olfativo da rainha hospedeira, fazendo com que as operárias deixem de reconhecê-la. Confusas, as trabalhadoras atacam e matam a própria mãe biológica. Quando o alvo é eliminado, a rainha parasita assume o trono e passa a colocar seus próprios ovos, garantindo que a colônia continue funcionando até que todas as formigas “órfãs” morram.
Fenômeno observado em outras espécies
Traços semelhantes de comportamento já haviam sido relatados no relacionamento entre Lasius umbratus e Lasius japonicus, indicando que a tática pode ter evoluído mais de uma vez dentro do gênero Lasius. Segundo o biólogo evolucionista Christian Rabeling, da Universidade de Hohenheim, o método químico é mais seguro para a invasora do que um confronto direto, no qual ela estaria vulnerável aos ataques das operárias que normalmente defendem a rainha.
Embora a rainha intrusa possa matar a rival em combate corporal — arrancando membros, asas e antenas ou mordendo a garganta da adversária —, os pesquisadores destacam que essa via envolve alto risco. O uso de substâncias que confundem as operárias transfere a violência para as próprias filhas da rainha legítima, reduzindo as chances de retaliação contra a nova soberana.
Imagem: Shutterstock
O trabalho de Takasuka e Tanaka amplia o entendimento sobre as múltiplas formas de parasitismo social entre insetos e revela até onde a evolução química e comportamental pode chegar para garantir a sobrevivência de uma linhagem.
Com informações de WizyThec

