Pesquisadores da Escola de Medicina de Stanford relataram, na última semana, que um protocolo experimental conseguiu impedir o avanço da diabetes tipo 1 em camundongos pré-diabéticos e eliminar completamente a doença em animais já diagnosticados. O estudo foi publicado no Journal of Clinical Investigation e tem entre os autores a cientista Preksha Bhagchandani, do Departamento de Desenvolvimento Biológico da universidade.
Como funciona o método
A equipe adotou uma abordagem híbrida. Primeiro, foram transplantadas células beta das ilhotas pancreáticas e células-tronco de um camundongo saudável para o animal doente. Para evitar que o sistema imune do receptor destruísse o material doado, os pesquisadores “reiniciaram” a imunidade do roedor com uma combinação de:
- inibidor imunológico;
- baixas doses de radiação;
- anticorpos específicos.
O procedimento criou um sistema imunológico misto, capaz de aceitar as novas células sem o uso contínuo de imunossupressores por, pelo menos, quatro meses.
Resultados obtidos
Nos testes, o tratamento reverteu o estado de pré-diabetes em alguns animais e curou totalmente outros já diabéticos. Embora uma inflamação leve tenha sido observada logo após o transplante, não houve rejeição das células inseridas.
Próximos passos e desafios
Os autores ressaltam que a pesquisa ainda está em estágio inicial. Entre os obstáculos para aplicação em humanos estão:
- necessidade de obter ilhotas pancreáticas, células-tronco e células imunológicas de um único doador falecido;
- quantidade ideal de células a ser transplantada ainda indefinida;
- busca por técnicas que permitam produzir, em laboratório, células compatíveis e mais resistentes.
Segundo o pesquisador Seung K. Kim, também integrante do projeto, a estratégia pode abrir caminhos para terapias contra outras doenças autoimunes e para transplantes de órgãos sólidos.
Com informações de WizyThec

