Três cachorros exibindo uma coloração azul intensa foram avistados no início de outubro na zona de exclusão de Chernobyl, na Ucrânia. A organização sem fins lucrativos Clean Futures Fund registrou imagens dos animais e divulgou o material no Instagram enquanto realizava uma expedição de rotina.
O grupo, responsável desde 2017 pelo projeto Cães de Chernobyl — que monitora, alimenta e esteriliza cães locais — tenta capturar os exemplares para descobrir a origem da tonalidade incomum. “Não sabemos o motivo e estamos tentando capturá-los para descobrir o que está acontecendo”, informou a entidade.
Hipótese aponta para contato com produto químico
A principal suspeita é que os animais tenham rolado em um líquido azul vazado de um banheiro químico abandonado na área. Segundo a veterinária Jennifer Betz, integrante do projeto, a substância “provavelmente não é tóxica” e, desde que os cães não a ingiram em excesso, não deve representar risco significativo.
A Clean Futures Fund ressaltou que a coloração não parece estar relacionada à exposição à radiação. O comportamento de se esfregar em odores fortes é comum entre cães, o que reforça a possibilidade de contato casual com o produto químico.
Descendentes de animais deixados em 1986
Após o acidente nuclear de 1986, moradores de Pripyat foram obrigados a abandonar a região, deixando para trás cães e gatos domésticos. Estima-se que mais de 700 descendentes desses animais vivam atualmente na área, adaptados às condições de isolamento e possível contaminação.
Imagem: Michael Repenning
Pesquisadores dos Estados Unidos acompanham esses cães desde 2017 para analisar eventuais impactos genéticos da radiação. Resultados publicados em 2023 na revista Science Advances apontaram adaptações únicas nos animais que habitam o entorno da antiga usina.
Os responsáveis pelo projeto afirmam que pretendem capturar os três cães azuis para realizar exames, confirmar a causa da cor e conduzir os procedimentos de esterilização previstos.
Com informações de WizyThec

