Pela primeira vez, astrônomos identificaram evidências diretas de ondas de Alfvén torsionais em pequena escala na coroa solar. O achado, liderado pelo professor Richard Morton, da Universidade de Northumbria (Reino Unido), foi divulgado nesta sexta-feira (24) na revista Nature Astronomy.
A equipe utilizou o Telescópio Solar Daniel K. Inouye, localizado no Havaí. Com ajuda do espectropolarímetro Cryo-NIRSP, os pesquisadores conseguiram separar movimentos sutis de torção de oscilações mais intensas do plasma, confirmando previsões teóricas feitas desde a década de 1940.
Como o estudo foi conduzido
O Cryo-NIRSP, instrumento de alta resolução instalado no Inouye, rastreou átomos de ferro aquecidos a temperaturas extremas. Para isolar as ondas, Morton desenvolveu um método analítico capaz de eliminar movimentos de oscilação que mascaravam as torções nas linhas de campo magnético.
Segundo o pesquisador, a detecção encerra uma busca de décadas: “Finalmente conseguimos observar diretamente esses movimentos de torção que distorcem as linhas do campo magnético para frente e para trás na coroa”, declarou em comunicado.
Impacto científico e tecnológico
A observação reforça modelos de aquecimento coronal e ajuda a explicar por que a coroa solar atinge milhões de graus, temperatura muito superior à da superfície do Sol. Os resultados também contribuem para o entendimento do vento solar, fator essencial na previsão do clima espacial, que pode afetar satélites, sistemas GPS e redes elétricas na Terra.
Imagem: que a atmosfera do Sol é tão quente
O trabalho contou com a colaboração de instituições do Reino Unido, China, Bélgica e do Observatório Solar Nacional dos Estados Unidos. A equipe pretende agora investigar como essas ondas se propagam e dissipam energia dentro da coroa, aproveitando a capacidade do Cryo-NIRSP de obter espectros de alta qualidade.
Com informações de WizyThec

