A Copa do Mundo de 2026, programada para Estados Unidos, Canadá e México, deve se tornar o maior torneio da história em número de seleções e partidas — e, segundo pesquisadores, também o mais prejudicial ao meio ambiente.
Levantamento da organização Scientists for Global Responsibility projeta a geração de mais de nove milhões de toneladas de dióxido de carbono, superando qualquer edição anterior. O torneio terá 48 equipes e 104 jogos, 40 a mais que nas Copas anteriores.
Temperaturas extremas preocupam
Dos 16 locais escolhidos, 14 devem registrar condições de calor potencialmente perigosas durante o evento. Cidades como Texas, Miami e Monterrey já alcançaram 45 °C em verões recentes. Para a especialista em esporte e clima da Universidade de Toronto, Dra. Madeleine Orr, a decisão de aumentar o torneio envia “uma mensagem perigosa” enquanto a FIFA promete reduzir emissões.
“Se o novo padrão for ser o evento mais poluente de todos os tempos, então, sim, é um novo padrão”, declarou a pesquisadora à BBC Sport.
Jogos entre meio-dia e 16h tendem a ser inviáveis em alguns estádios, de acordo com Orr. A entidade que organiza o futebol mundial reconhece que o calor extremo pode obrigar ajustes no calendário, mas não detalhou medidas de sustentabilidade.
Imagem: fifg
Atletas cobram responsabilidade
O meio-campista Enzo Fernández, do Chelsea, contou ter passado mal ao atuar em Nova Jersey sob 35 °C. O ex-jogador David Wheeler, da Associação de Jogadores Profissionais, defende que federações esportivas assumam maior responsabilidade ambiental e não lucrem sem “usar seu poder para melhorar o esporte”. Héctor Bellerín, do Real Betis, incentiva colegas a pressionar por mudanças: “Há mais jogos, mais viagens e condições mais duras — e nos dizem apenas para nos hidratar”, criticou.
Com a ampliação do formato, especialistas veem a edição de 2026 como possível ponto de virada na relação entre futebol e crise climática.
Com informações de WizyThec

