A organização responsável pelo Protocolo de Gases de Efeito Estufa (GEE) apresentou nesta semana a primeira revisão de suas diretrizes em mais de dez anos, endurecendo a forma como empresas contabilizam emissões e utilizam créditos de energia renovável.
A proposta atinge diretamente companhias como Amazon, Meta, Microsoft e Google, que buscam metas de neutralidade climática. Pelas novas regras, a energia limpa adquirida para compensação deverá ser gerada e consumida simultaneamente e dentro do mesmo sistema elétrico, eliminando a possibilidade de comprar créditos em locais ou horários diferentes.
Hoje, por exemplo, uma empresa pode operar um data center a gás natural no Texas e compensar essas emissões com certificados solares comprados na Califórnia. Se a revisão for aprovada, esse tipo de arranjo deixará de ser aceito.
Custos podem aumentar
De acordo com o analista Daniel Arnesson, da consultoria Veyt, a exigência de coincidência temporal e geográfica deve encarecer os certificados em períodos de baixa produção renovável, tornando a compensação mais cara em escala global.
Lobby corporativo e investigações
A mudança enfrenta resistência de diversas empresas. Enquanto Google e AstraZeneca apoiam o modelo 24/7 — que acompanha o consumo de energia limpa em tempo real — grupos como Meta, Amazon e General Motors defendem maior flexibilidade.
Imagem: chayanuphol
O debate ocorre em meio a investigações nos Estados Unidos, onde procuradores questionam a contabilidade ambiental de Microsoft, Meta, Google e Amazon, apontando supostas práticas que inflariam a imagem “verde” dessas corporações.
Especialistas acreditam que a revisão do GEE poderá redefinir a forma como grandes empresas reportam emissões, pagam taxas de carbono e divulgam compromissos de sustentabilidade.
Com informações de WizyThec

