A startup norte-americana Reflect Orbital pediu autorização à Comissão Federal de Comunicações (FCC) para lançar, em abril de 2026, seu primeiro satélite de demonstração destinado a refletir luz solar sobre a Terra durante a noite.
Batizado de Earendel-1, o equipamento terá um espelho de 18 metros de comprimento por 18 metros de largura, capaz de gerar claridade semelhante à de uma Lua cheia. A empresa pretende colocar quatro mil satélites em órbita até 2030; versões futuras poderão chegar a 55 metros de lado. Quando a constelação estiver completa, o brilho projetado poderia alcançar níveis próximos ao do Sol ao meio-dia, permitindo que usinas solares continuem operando após o pôr do sol.
Preocupação com poluição luminosa
Em artigo publicado no portal The Conversation, os professores Michael J. I. Brown, da Monash University (Austrália), e Matthew Kenworthy, da Leiden University (Países Baixos), alertam que espelhos orbitais dessa magnitude representariam um sério problema para a astronomia e a observação do céu noturno. Segundo eles, cada satélite poderia refletir luz quase tão intensa quanto a superfície do Sol, oferecendo risco de danos permanentes aos olhos de quem utiliza telescópios.
Os especialistas também destacam possíveis impactos sobre a saúde humana e sobre a fauna, decorrentes do aumento da poluição luminosa. A reflexão artificial prejudicaria ainda a coleta de dados astronômicos, comprometendo diversas linhas de pesquisa científica.
Compromissos da empresa
Diante das críticas, a Reflect Orbital afirmou que pretende evitar o direcionamento de luz próximo a observatórios e compartilhar as posições de seus satélites com a comunidade científica, para facilitar o planejamento de observações.
Imagem: Johan Swanepoel
Embora o lançamento de um satélite de teste esteja programado, a companhia ainda enfrenta um longo processo regulatório e tecnológico até viabilizar uma frota de milhares — ou até mesmo centenas de milhares — de espelhos em órbita.
Com informações de WizyThec

