Erupções vulcânicas ocorridas entre 4,1 e 3 bilhões de anos atrás podem ter transportado grandes quantidades de gelo para o equador de Marte e mantido esse material preservado até hoje, aponta pesquisa publicada na revista Nature Communications na última terça-feira (14).
A hipótese surgiu após satélites em órbita marciana registrarem níveis elevados de hidrogênio próximo à superfície em áreas equatoriais — sinal considerado incomum pelos cientistas. Para explicar o fenômeno, a equipe utilizou modelos climáticos que reproduziram a atividade vulcânica intensa daquele período remoto.
As simulações indicam que o vapor d’água lançado na atmosfera pelas erupções teria congelado rapidamente, formando cristais que precipitaram sobre o solo. Segundo o estudo, apenas três dias de atividade vulcânica seriam suficientes para depositar camadas de gelo de até 5 metros de espessura.
Os pesquisadores sugerem que o material gelado permaneceu intacto porque foi rapidamente coberto por detritos vulcânicos, poeira e fluxos de lava, criando um revestimento que bloqueou a luz solar e estabilizou o depósito ao longo de bilhões de anos. A liberação de ácido sulfúrico, capaz de desencadear um “inverno” global, também teria contribuído para preservar as camadas congeladas.
Dois vulcões são apontados como prováveis responsáveis: Syrtis Major e Apollinaris Mons, este último ativo há cerca de 3,5 bilhões de anos. Ambos ficam próximos das regiões onde os satélites detectaram as maiores assinaturas de hidrogênio, reforçando a ligação entre a atividade vulcânica e os possíveis reservatórios de gelo.
Imagem: Pike
Confirmar a existência desse gelo subterrâneo é considerado estratégico para futuras missões tripuladas. O equador marciano oferece condições mais amenas que os polos, e a disponibilidade local de água poderia assegurar suprimento potável, oxigênio e até combustível para foguetes, aumentando a autonomia de expedições humanas no planeta.
Com informações de WizyThec

