Técnica de astrometria abre caminho para encontrar luas habitáveis em sistemas estelares vizinhos

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São Paulo, 15 de outubro de 2025 – Um estudo da Universidade do Arizona, publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, indica que luas potencialmente habitáveis – semelhantes à fictícia Pandora da franquia Avatar – podem ser descobertas em exoplanetas próximos utilizando astrometria. O método mede oscilações sutis na posição das estrelas e, segundo a equipe, é sensível o suficiente para detectar satélites com massa capaz de sustentar atmosfera e oceanos.

Como a técnica funciona

A astrometria monitora o pequeno “balanço” provocado por um planeta na estrela que ele orbita. Se houver uma lua ao redor desse planeta, novas perturbações periódicas aparecem no sinal. Os pesquisadores simularam um cenário com um planeta do tamanho de Saturno em Alpha Centauri A e luas de até 30 massas terrestres; as variações seriam observáveis em campanhas de três a cinco anos.

Ligação com a ficção

Na série Avatar, Pandora é a lua do gigante gasoso Polifemo, situado em Alpha Centauri A, a cerca de quatro anos-luz do Sistema Solar. Embora imaginária, a referência inspira cientistas a definir critérios de habitabilidade para satélites fora do nosso sistema.

Planeta candidato em Alpha Centauri A

Em agosto de 2025, o Telescópio Espacial James Webb (JWST) detectou um provável planeta gasoso em Alpha Centauri A, batizado S1. Ele teria dimensões semelhantes às de Saturno e orbitaria a estrela entre uma e duas unidades astronômicas. Apelidado de “planeta em desaparecimento”, S1 não foi visto desde as primeiras observações, devendo reaparecer entre 2026 e 2027 caso a órbita seja confirmada. Se validado, será a maior descoberta do JWST até o momento.

Desafio de encontrar exoluas

Embora seis dos oito planetas do Sistema Solar possuam satélites naturais, nenhuma exolua foi confirmada fora dele. A maior entre as conhecidas, Ganimedes, tem apenas 2,5 % da massa terrestre, o que dificulta a detecção a grandes distâncias. Até agora, eventuais candidatas apareceram por microlentes gravitacionais ou trânsitos, mas sem confirmação definitiva.

Perspectivas para telescópios futuros

Simulações sugerem que instrumentos terrestres de 39 m, como o Telescópio Europeu Extremamente Grande (ELT), poderão registrar uma lua com massa próxima à da Terra em Alpha Centauri A – bastaria observar o sistema uma vez por dia durante cinco anos. Missões espaciais dedicadas, com medições horárias, alcançariam resultados semelhantes.

Se essas previsões se cumprirem, a identificação de luas rochosas capazes de abrigar vida em sistemas vizinhos, incluindo S1 (caso confirmado), poderá ocorrer nas próximas décadas. Além de testar modelos de formação de satélites, a descoberta ajudaria a avaliar se o Sistema Solar é único e a buscar sinais de vida em ambientes fora da Terra.

Com informações de WizyThec

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