Modelos de computador apresentados no Journal of Geophysical Research: Planets sugerem que o brilho incomum do asteroide 16 Psyche, localizado no cinturão principal entre Marte e Júpiter, pode ser resultado de antigas erupções de ferro líquido. A pesquisa oferece uma explicação para a alta refletividade do objeto, que devolve cerca de 30% da luz solar que recebe e é, pelo menos, duas vezes mais brilhante que a maioria dos asteroides já observados.
Descoberto em 1852, Psyche tem formato irregular e aparência metálica, o que levou cientistas a imaginar que se tratava do núcleo exposto de um protoplaneta. Estimativas apontam que os metais presentes ali valeriam mais de US$ 100 quintilhões. No entanto, medições de 2020 indicaram densidade entre 3.700 e 4.100 kg/m³ — aproximadamente metade do esperado para um corpo composto apenas de ferro e níquel. Esse resultado apontou para uma mistura de rocha e metal, com uma camada de ferro concentrada perto da superfície.
Para investigar como essa “casca” metálica pode ter surgido, o doutorando Jaap Jorritsma, da Universidade de Tecnologia de Delft, e o professor Win van Westrenen, da Universidade Vrije de Amsterdã, criaram simulações baseadas em três tipos de meteoritos: condritos EH (pobres em ferro), condritos H (teor moderado) e mesosideritos (ricos em ferro). Apenas os cenários que reproduziam a composição dos mesosideritos geraram pressão interna suficiente para provocar ferrovulcanismo, processo em que ferro fundido extravasa por fissuras, semelhante ao vulcanismo tradicional, mas com metal no lugar da lava.
Asteroides com baixo teor de ferro não formariam núcleos grandes o bastante para desencadear esse tipo de atividade, segundo o estudo. Já corpos com composição intermediária, como os condritos H, só produziriam erupções metálicas em condições de densidade mais elevada.
Imagem: Ariza State University
As conclusões deverão ser testadas pela missão Psyche, da NASA, lançada em 13 de outubro de 2023. A espaçonave tem chegada prevista para julho de 2029 e passará dois anos mapeando a superfície e analisando a composição do asteroide. Caso identifique extensas áreas metálicas ou vestígios de antigos fluxos de ferro, a sonda poderá confirmar que Psyche já abrigou “vulcões de ferro”, reforçando a hipótese de ferrovulcanismo como origem de seu brilho intenso.
Com informações de WizyThec

