São Paulo, 8 de outubro de 2025 – A análise de dados do satélite europeu Gaia revelou que os asteroides do Sistema Solar se dividem em dois grupos bem definidos: aqueles que giram suavemente em torno do próprio eixo e outros cujo movimento é caótico, ou “tombado”. A descoberta foi apresentada por Wen-Han Zhou, da Universidade de Tóquio, durante a Reunião Conjunta do Congresso Científico Europlanet (EPSC) com a Divisão de Ciências Planetárias (DPS), realizada em setembro em Helsinque, Finlândia, e publicada na revista Nature Astronomy.
Fronteira clara entre rotações lentas e rápidas
Os cientistas identificaram uma lacuna ao plotar a intensidade da luz refletida pelos asteroides – medida pelo Gaia – em função do período de rotação. Acima da linha estão objetos que completam um giro em poucas horas; abaixo, aqueles que demoram cerca de 30 horas e exibem rotação desordenada. Essa separação não era compreendida até agora.
Modelo explica influência de colisões e atrito interno
Para resolver o enigma, Zhou e equipe criaram um modelo que equilibra dois processos opostos. De um lado, colisões no Cinturão de Asteroides tendem a perturbar o giro, transformando-o em um movimento caótico. Do outro, o atrito interno do próprio corpo atua para estabilizar a rotação. O ponto de equilíbrio entre esses fatores estabelece a fronteira que divide as duas populações.
Luz solar acelera ou desacelera o giro
Outro fator crucial é o empurrão da luz solar. Quando o asteroide gira de modo estável, a radiação é reemitida sempre nas mesmas direções, acumulando torque capaz de acelerar ou reduzir a velocidade de rotação. Em objetos com movimento caótico, a orientação muda o tempo todo; assim, o efeito se distribui e o corpo permanece mais lento, a menos que uma colisão reative o ciclo.
Implicações para defesa planetária
Compreender a relação entre estrutura interna e rotação ajuda a avaliar como um asteroide responderia a um eventual desvio. Corpos formados por “pilhas de entulho”, repletos de cavidades cobertas por regolito, reagem de forma diferente a um impacto cinético em comparação a objetos rochosos maciços. Catalogar essas características é considerado essencial para a proteção da Terra contra colisões futuras.
Imagem: Wen-Han Zhou et al
Próximos passos
A equipe acredita que levantamentos previstos, como o Levantamento de Legado do Espaço e do Tempo (LSST) do Observatório Vera C. Rubin, permitirão aplicar o novo método a milhões de asteroides, refinando o conhecimento sobre sua evolução e composição.
Fim.
Com informações de WizyThec

