Quem: Astrônomos que analisam dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST)
O quê: Identificação de fosfina na atmosfera da anã marrom Wolf 1130C
Onde: Sistema triplo formado por uma estrela anã vermelha, uma anã branca e a anã marrom Wolf 1130C
Quando: Dados analisados e divulgados em outubro de 2025
Como: Observações espectroscópicas realizadas pelo JWST
Por quê: A nova medição reforça modelos que apontam a formação não biológica da molécula e enfraquece a hipótese de vida em Vênus, proposta após um estudo de 2020.
Fosfina confirmada em ambiente inóspito
O JWST detectou fosfina (PH3) em Wolf 1130C numa concentração de 0,1 parte por milhão. Essa abundância coincide com previsões teóricas para atmosferas de anãs marrons e planetas gasosos, como Júpiter e Saturno, que exibem níveis semelhantes do composto.
Os pesquisadores alertam que a confirmação apoia modelos químicos que explicam a formação da molécula em ambientes quentes e pressurizados, sem necessidade de processos biológicos. “Recomendamos cautela no uso da fosfina como bioassinatura até que essas discrepâncias sejam resolvidas”, comentam os autores.
Imagem: dimazel
Por que algumas anãs marrons exibem fosfina e outras não?
Embora o resultado esteja de acordo com as simulações, cientistas continuam sem resposta para a ausência da molécula em anãs marrons consideradas semelhantes a Wolf 1130C. A instabilidade da fosfina faz com que reações químicas a destruam rapidamente; por isso, o composto precisa ser produzido em camadas internas quentes e transportado para regiões mais frias por correntes de convecção antes de se decompor.
Impacto na polêmica de Vênus
Em 2020, Jane Greaves, da Universidade de Cardiff, anunciou possíveis vestígios de fosfina nas nuvens venusianas usando os radiotelescópios James Clerk Maxwell, no Havaí, e ALMA, no Chile. Como, na Terra, a substância é gerada principalmente por processos biológicos, o grupo sugeriu atividade microbiana em Vênus. A hipótese foi contestada por outras equipes, que apontaram falhas na análise e não reproduziram o sinal.
O ambiente extremo do planeta — com altas temperaturas, pressão e atmosfera corrosiva — torna difícil explicar a sobrevivência da fosfina. Ainda assim, o debate persiste, pois a equipe de Greaves mantém a interpretação original. A nova detecção em Wolf 1130C reforça a visão de que a simples presença do gás não basta para indicar vida.
Mesmo em meio às incertezas, a fosfina continua listada pelos astrobiólogos como possível bioassinatura. O resultado do JWST, porém, destaca a necessidade de múltiplos indicadores antes de atribuir origem biológica a compostos encontrados em outros mundos.
Com informações de WizyThec

