São Paulo, 27 de setembro de 2025 – Um estudo publicado na revista Nature criou o retrato mais detalhado já feito do envelhecimento do cérebro humano e aponta que a eficiência dos genes de manutenção celular, e não a morte de neurônios, pode estar na origem do Alzheimer.
O que descobriram
Pesquisadores analisaram mais de 360 mil células do córtex pré-frontal – área ligada a memória, atenção e decisão – em amostras de cérebros que iam de recém-nascidos a centenários. Os resultados indicam que:
- a perda cognitiva não decorre da quantidade de neurônios, mas da redução da atividade dos genes que mantêm essas células funcionando;
- esse declínio se torna mais evidente a partir dos 40 anos;
- o achado contrasta com a hipótese predominante, que atribuía o processo ao acúmulo de proteínas beta-amiloide e tau ou à morte neuronal.
Implicações médicas
A equipe afirma que o trabalho abre espaço para novos alvos terapêuticos. Ao identificar quais genes perdem eficiência com o tempo, futuros medicamentos poderiam ser desenvolvidos para preservar ou restaurar essa atividade, potencialmente retardando o avanço da doença.
Prevenção e diagnóstico
Os autores também defendem que os cuidados com o cérebro devem começar cedo, especialmente a partir dos 40 anos, quando a queda de desempenho genético se torna mais acentuada. A descoberta pode ainda facilitar diagnósticos mais precoces e estratégias de acompanhamento personalizadas, ajudando a explicar por que algumas pessoas desenvolvem Alzheimer enquanto outras envelhecem com menor declínio cognitivo.
Imagem: Roman Bodnarchuk
O estudo representa um novo marco na compreensão da demência mais comum no mundo, que afeta milhões de pessoas e ainda carece de tratamentos capazes de interromper sua progressão.
Com informações de Olhar Digital

