O Brasil abriga quatro gêneros responsáveis pela maior parte dos acidentes ofídicos no país: jararacas, surucucus, cascavéis e corais-verdadeiras. Cada grupo possui distribuição geográfica, características biológicas e tipos de veneno específicos, fatores que determinam o risco para a população e o tratamento necessário após uma picada.
Jararacas (Bothrops)
Encontradas em florestas, campos e áreas urbanas de quase todo o território nacional, concentram-se principalmente nas regiões Sudeste e Sul. Apresentam coloração do verde-oliva ao marrom, com manchas em zigue-zague. O veneno, de ação proteolítica e coagulante, provoca necrose, hemorragias e inchaços severos. São responsáveis pela maioria dos acidentes ofídicos no Brasil.
Surucucus (Lachesis muta)
Conhecida como pico-de-jaca, é a maior serpente venenosa das Américas, podendo ultrapassar 3 m de comprimento. Vive em florestas tropicais da Amazônia e da Mata Atlântica. O veneno combina efeitos neurotóxicos e hemorrágicos, causando dor, inchaço e necrose. Acidentes são menos frequentes por ocorrerem em áreas remotas, mas podem ser graves.
Cascavéis (Crotalus)
Predominam em ambientes secos, como Cerrado e Caatinga, além de campos e florestas abertas. O chocalho na cauda e o padrão em losangos facilitam a identificação. O veneno tem ação neurotóxica e miotóxica, levando a paralisia muscular e insuficiência respiratória. Embora menos potentes que os das jararacas, continuam perigosos pelos efeitos neurológicos.
Corais-verdadeiras (Micrurus)
Habitam florestas, campos e ecótonos do Cerrado. Exibem anéis vermelhos, pretos e brancos ou amarelos, padrão que varia entre espécies e gera confusão com corais-falsas, não peçonhentas. Possuem o veneno mais potente entre as serpentes listadas, porém o comportamento recluso reduz a incidência de acidentes, que geralmente ocorrem durante o manuseio do animal.
Diferenciação e dentição
Serpentes peçonhentas podem apresentar fossetas loreais — orifícios termorreceptores entre olho e narina — como observado em jararacas, cascavéis e surucucus. A análise da dentição também auxilia na identificação:
Imagem: Maria Dryfhout
- Áglifa: dentes iguais, sem presas inoculadoras (ex.: jiboias);
- Opistóglifa: presa inoculadora na parte posterior da boca (ex.: corais-verdadeiras);
- Proteróglifa: presa inoculadora na parte anterior da boca;
- Solenóglifa: par de presas grandes e retráteis (ex.: jararacas).
Produção de soros antiofídicos
O tratamento de picadas utiliza soros específicos, obtidos a partir da imunização de cavalos com pequenas doses de veneno. No Brasil, os principais tipos são:
- Soro antibotrópico (pentavalente) e anticrotálico: indicados para jararacas e cascavéis;
- Soro antielapídico: destinado a corais-verdadeiras;
- Soro antibotrópico-laquético: utilizado contra o veneno da surucucu.
O Instituto Butantan, em São Paulo, é o maior produtor nacional desses antídotos, além de realizar pesquisas e distribuir os soros à rede de saúde.
Orientações em caso de picada
A recomendação é manter a calma, procurar atendimento médico imediato e, se possível, registrar a aparência da serpente sem tentar capturá-la. A identificação correta agiliza a escolha do soro adequado e reduz complicações.
Com informações de WizyThec

