Pesquisadores liderados pelo geólogo Álvaro Penteado Crósta, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), anunciaram a identificação do primeiro campo de tectitos já registrado no Brasil. Batizados de geraisitos, em referência ao estado de Minas Gerais, os fragmentos vítreos têm idade estimada em 6,3 milhões de anos e resultam da fusão de rochas terrestres provocada por um impacto de alta energia.
Fragmentos espalhados por três estados
Os primeiros espécimes foram encontrados nos municípios mineiros de Taiobeiras, Curral de Dentro e São João do Paraíso. Levantamentos recentes estenderam a área de ocorrência para regiões da Bahia e do Piauí, totalizando mais de 900 quilômetros de dispersão.
Mais de 600 peças catalogadas
Até o momento, a equipe reuniu mais de 600 fragmentos com as seguintes características:
- Peso entre menos de 1 grama e 85,4 gramas;
- Comprimento máximo de 5 centímetros;
- Formas aerodinâmicas, como esferas, gotas, discos e halteres;
- Cor externa negra e opaca, com tom verde-acinzentado translúcido sob luz intensa.
A superfície exibe pequenas cavidades geradas pela liberação de gases durante o resfriamento rápido na atmosfera.
Análises confirmam origem de impacto
Testes laboratoriais mostraram baixíssimo teor de água – entre 71 e 107 partes por milhão – diferenciando os geraisitos de vidros vulcânicos, que apresentam valores significativamente mais altos. A assinatura isotópica aponta rocha-fonte granítica pertencente a crosta continental muito antiga, de 3 a 3,3 bilhões de anos, vinculada ao cráton do São Francisco.
Cratera ainda não localizada
Apesar da abundância de amostras, a estrutura de impacto responsável pelos tectitos permanece desconhecida, situação comparável à do maior campo mundial, na Australásia. Crósta explica que levantamentos aerogeofísicos futuros poderão revelar anomalias circulares indicativas da cratera.
Imagem: Álvaro Penteado Crósta
Educação científica
Além do trabalho acadêmico, a equipe mantém o perfil @defesaplanetaria no Instagram para divulgar informações sobre riscos de asteroides e combater teorias sensacionalistas, reforçando a importância de evidências geológicas sólidas.
O estudo foi publicado na revista Geology e amplia o registro de impactos cósmicos na América do Sul, que até então contava com apenas cinco grandes campos de tectitos reconhecidos em todo o mundo.
Com informações de WizyThec

