Relações sexuais entre indivíduos do mesmo sexo não são eventos acidentais no reino animal, mas sim um recurso importante para a sobrevivência em ambientes hostis. A conclusão vem de uma pesquisa do Imperial College London, publicada nesta segunda-feira (12) na revista Nature Ecology & Evolution.
O que o estudo analisou
Os pesquisadores compilaram dados de 491 espécies de primatas e confirmaram ocorrência de comportamentos homosexuais em 59 delas, entre lêmures, gorilas e vários tipos de macacos.
Quando o comportamento aparece com mais frequência
De acordo com o trabalho, a prática é mais comum em espécies submetidas a alto estresse social ou ambiental. Três situações principais foram identificadas:
- Ambientes áridos ou pobres em alimento – o ato sexual ajuda a aliviar tensões e evitar brigas fatais, como observado em macacos-berbere.
- Risco elevado de predação – em grupos que convivem com grandes felinos ou serpentes, como os macacos vervet, o sexo fortalece laços e garante proteção coletiva.
- Hierarquias rígidas e grande dimorfismo sexual – em espécies em que os machos são bem maiores que as fêmeas, exemplo dos gorilas, a interação funciona como ferramenta política para ganhar posição social.
Vantagens indiretas
O grupo desmonta o antigo “paradoxo darwiniano” que via o comportamento como inútil na transmissão de genes. Entre macacos-rhesus, por exemplo, machos que montam em outros machos formam alianças duradouras, unem forças contra rivais e, depois, conquistam acesso a mais fêmeas, aumentando o sucesso reprodutivo.
Imagem: Wirestock Creators
Raiz evolutiva profunda
Para os autores, a ampla distribuição do comportamento indica origem antiga na linhagem dos primatas. Apesar disso, o coordenador do estudo, Vincent Savolainen, ressalta que a pesquisa não pretende explicar preferências humanas, pois a sexualidade de nossa espécie envolve fatores próprios.
Com informações de WizyThec

