Foz do Iguaçu (PR) – A Usina Hidrelétrica de Itaipu concluiu a montagem de sua primeira ilha solar flutuante no reservatório do Rio Paraná e planeja iniciar a geração de energia em novembro.
Projeto-piloto
Com 1.568 painéis fotovoltaicos distribuídos em 7,6 mil m² – área próxima ao tamanho de um campo de futebol –, a estrutura está ancorada perto do vertedouro da usina. O investimento alcançou US$ 854,5 mil (cerca de R$ 4,5 milhões) e foi executado por um consórcio formado pela brasileira Sunlution e pela paraguaia Luxacril, vencedor da licitação binacional.
Próximos passos
Até a entrada em operação, serão realizados testes frios (sem geração) e quentes (com energização). Quando ativada, a instalação terá capacidade de 1 MWp, suficiente para atender aproximadamente 650 residências. A energia produzida será consumida pela própria Itaipu, sem inserção no Sistema Interligado Nacional.
Monitoramento ambiental
Durante um ano, técnicos vão acompanhar a viabilidade técnica, o desempenho dos painéis e possíveis impactos ambientais, como alterações no habitat de aves e peixes, qualidade da água e ocorrência de algas.
Potencial de expansão
Estudos internos estimam que cobrir 1 % do reservatório com placas solares poderia gerar 3,6 TWh anuais. Se 10 % da superfície recebesse os módulos, a produção atual da usina — 14 GW de capacidade instalada — seria duplicada.
Imagem: Elder Alejandro Baez Flores
Estratégia de diversificação
Responsável por cerca de 9 % da eletricidade consumida no Brasil, Itaipu busca ampliar sua matriz energética. Além da ilha solar, estão em curso projetos de hidrogênio verde, produzido por eletrólise da água, e iniciativas de biogás obtido de resíduos orgânicos, com potencial para abastecer 1,5 mil residências. Há ainda pesquisas em bio-syncrude e combustíveis sustentáveis de aviação.
Demanda crescente
Desde 1984, Itaipu já gerou mais de 3,1 bilhões de MWh, volume capaz de suprir o planeta por 44 dias. A produção é dividida igualmente entre Brasil e Paraguai, mas o consumo paraguaio aumenta com a instalação de data centers, operações de inteligência artificial e mineração de criptomoedas. A projeção é de que, até 2035, não haja excedente disponível, o que leva a debates sobre a ampliação de turbinas e a revisão do tratado binacional que restringe a geração à fonte hídrica.
Com informações de WizyThec

