Pesquisadores do Wyss Institute, da Universidade de Harvard, demonstraram que moléculas de DNA podem ser usadas como meio de armazenamento digital, eliminando limitações de espaço físico e reduzindo a perda de dados causada pela degradação de materiais sintéticos.
Como funciona
A técnica converte os bits convencionais (0 e 1) nas quatro bases químicas do DNA — adenina (A), citosina (C), guanina (G) e timina (T). Depois da codificação, as sequências são sintetizadas em laboratório, transformando arquivos digitais em material biológico tangível. Para recuperar as informações, basta realizar o sequenciamento genético, que traduz novamente as bases para o formato binário original.
Densidade e durabilidade
Além da resistência a temperatura e luz, o DNA apresenta uma densidade sem precedentes: um grama é capaz de armazenar cerca de 215 petabytes. Isso significa que todo o conteúdo digital produzido pela humanidade poderia caber em um frasco menor que uma caixa de sapatos. Em condições ideais, a informação permanece íntegra por milhares de anos, superando em muito a vida útil de discos rígidos ou fitas magnéticas.
Comparativo de mídias
• Disco rígido (HD): capacidade na casa dos terabytes, durabilidade média de 5 a 10 anos.
• Fita LTO: também em terabytes, com vida útil aproximada de 30 anos.
• DNA sintético: exabytes por grama, preservação estimada acima de 1.000 anos.
Desafios atuais
O principal obstáculo é o custo. A síntese e a leitura de DNA artificial ainda são caras, restringindo a aplicação a projetos de longo prazo em órgãos governamentais ou centros de pesquisa. Entretanto, a queda acelerada no preço do sequenciamento genético sugere que a barreira econômica pode ser superada na próxima década.
Imagem: inteligência artificial
Com o aperfeiçoamento dos métodos de escrita e leitura, a integração entre biologia e computação promete inaugurar uma nova era de preservação de dados, na qual a memória digital da humanidade caberá literalmente em um pingo d’água.
Com informações de WizyThec

