O aumento na procura por canetas de semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) fez surgir a pergunta: esses medicamentos interferem na proteção oferecida pelos anticoncepcionais orais?
Como agem os remédios
Ozempic, Wegovy e Mounjaro pertencem à classe dos agonistas de GLP-1, aprovados para o tratamento do diabetes tipo 2. Eles reduzem a glicemia e prolongam a sensação de saciedade ao retardar o esvaziamento do estômago — mecanismo que pode alterar a absorção de comprimidos, incluindo as pílulas contraceptivas.
Semaglutida: sem impacto relevante
Um estudo publicado no Journal of Clinical Pharmacology avaliou a interação entre semaglutida e anticoncepcionais orais combinados e não identificou diminuição clinicamente significativa na absorção dos hormônios. As bulas aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não trazem alerta específico sobre esse ponto.
Tirzepatida: recomendação de método adicional
Para a tirzepatida, a orientação é diferente. As bulas de Mounjaro, nos EUA e no Brasil, informam que o medicamento pode reduzir temporariamente a absorção de anticoncepcionais orais no início do tratamento ou após aumento de dose. Por isso, indicam usar um método contraceptivo adicional ou não oral durante quatro semanas após o início ou cada ajuste de dose.
Orientação da Febrasgo
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomenda:
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- Manter o anticoncepcional oral durante o uso de semaglutida, com acompanhamento médico.
- Evitar confiar exclusivamente em pílulas hormonais se estiver em tratamento com tirzepatida; adotar método de barreira ou trocar de método por, no mínimo, quatro semanas após iniciar ou ajustar a dose.
- Considerar opções de longa duração, como DIU ou implante, que não dependem da absorção digestiva.
O acompanhamento profissional é indicado para definir o método contraceptivo mais seguro durante o tratamento com agonistas de GLP-1.
Com informações de WizyThec

