Uma fotografia de alta resolução do fundo do olho está se tornando ferramenta promissora para avaliar a saúde do coração. Pesquisa publicada em 2022 na revista Nature Machine Intelligence demonstrou que algoritmos de inteligência artificial (IA) conseguem estimar a probabilidade de eventos cardiovasculares apenas analisando a retina.
O método começa com um escaneamento ocular padrão, procedimento já disponível em clínicas oftalmológicas. A imagem capturada segue para um sistema de IA que examina densidade, curvatura e espessura dos vasos sanguíneos, aspectos imperceptíveis ao olhar humano. Em poucos instantes, o software gera um relatório indicando o risco de infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral nos anos seguintes.
Olhos como janela do sistema circulatório
A retina compartilha características estruturais com tecidos cardíacos e cerebrais. Pequenas alterações em sua microvasculatura costumam refletir problemas sistêmicos, como endurecimento das artérias ou pressão alta. Ao processar milhares de exames, redes neurais profundas aprenderam a associar esses sinais visuais a quadros clínicos específicos.
Diferenças em relação ao exame tradicional
No consultório, o mapeamento de retina convencional foca em doenças oculares, como glaucoma ou degeneração macular. Com IA, o mesmo equipamento passa a oferecer um panorama duplo: mantém a avaliação oftalmológica e acrescenta a detecção precoce de riscos cardíacos, de forma automática e quantitativa.
Acesso mais amplo
Equipamentos de fotografia ocular são mais baratos e portáteis do que tomografias ou ressonâncias destinadas ao coração. A combinação com inteligência artificial pode levar diagnósticos avançados a postos de saúde e regiões remotas, onde a infraestrutura para exames cardiológicos complexos costuma ser limitada.
Imagem: inteligência artificial
Especialistas esperam que, nos próximos anos, a análise de retina com IA seja incorporada às consultas anuais de rotina. A identificação antecipada de pacientes propensos a infarto ou AVC permitiria intervir com mudanças de estilo de vida ou medicações preventivas, tornando o exame ocular um aliado estratégico da cardiologia.
Com informações de WizyThec

