Um estudo divulgado este mês na revista Astrophysical Journal Letters (ApJL) apresenta o primeiro mapa contínuo em duas dimensões da chamada superfície de Alfvén, limite onde o vento solar deixa de ser regido pelo campo magnético da estrela e passa a se propagar pelo espaço interplanetário.
A pesquisa foi conduzida por astrônomos do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian (CfA). Ao combinar novos mapas com medições de alta resolução, os cientistas constataram que essa fronteira se torna maior, mais irregular e repleta de formas pontiagudas quando o Sol entra nas fases de maior atividade de seu ciclo, que dura cerca de 11 anos.
Validação com a sonda Parker
Os resultados foram validados com dados da Parker Solar Probe, da NASA, que se aproxima repetidamente da atmosfera solar. A espaçonave cruza a superfície de Alfvén — ponto a partir do qual partículas não conseguem mais retornar à estrela — oferecendo medições diretas para confirmar o contorno traçado nos mapas.
As informações foram obtidas pelo instrumento SWEAP (Elétrons, Alfas e Prótons do Vento Solar), desenvolvido pelo CfA em parceria com a Universidade da Califórnia, Berkeley. O equipamento registra partículas do vento solar em regiões profundas da coroa, algo impossível antes do lançamento da Parker.
Importância para a heliofísica e tecnologias na Terra
Compreender a localização exata da superfície de Alfvén ajuda a esclarecer por que a coroa, camada externa da atmosfera solar, atinge temperaturas muito superiores às da superfície visível do Sol, apesar de sua menor densidade. Também permite refinar modelos que preveem o clima espacial — fundamental para proteger satélites, sistemas de comunicação e redes de energia contra tempestades solares.
Imagem: escala
Os pesquisadores já sabiam, por meio de modelos teóricos, que a fronteira se afasta do Sol e se torna mais complexa durante o máximo solar, e se aproxima durante o mínimo. O novo mapa fornece a primeira confirmação observacional detalhada desse comportamento.
Próximos passos
A equipe planeja acompanhar a evolução da superfície de Alfvén ao longo de um ciclo solar completo, incluindo o próximo mínimo de atividade. A abordagem colaborativa — que combina dados de sondas próximas, como a Parker, e de missões mais distantes, como a Solar Orbiter e a Wind — servirá de base para futuros estudos sobre o impacto da atividade estelar em todo o Sistema Solar e em outras estrelas.
Com informações de WizyThec

