Automação corporativa: cinco níveis de maturidade explicam por que empresas brasileiras ainda engatinham

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Automatizar processos tornou-se decisivo para elevar produtividade e reduzir custos nas organizações. No Brasil, 78% das empresas já utilizam alguma ferramenta de automação, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Apesar disso, 26% afirmam não ter conhecimento suficiente para operar as soluções com eficácia, revela relatório do OTRS Group publicado em 2024.

A dificuldade também é sentida nos projetos que envolvem inteligência artificial (IA). A mesma pesquisa indica que 59% das companhias que automatizam processos já adotam IA, porém levantamento do MIT Sloan Management Review aponta que até 95% dessas iniciativas fracassam em gerar impacto prático.

Para explicar o descompasso entre investimento e resultado, o diretor de Produto e Tecnologia da Lecom Tecnologia, Fabrício Dias, divide a jornada de automação em cinco níveis de maturidade. De acordo com o executivo, a maioria das empresas brasileiras ainda se encontra no primeiro estágio.

Nível 1 – Dependência humana total

Formulários em papel, planilhas, e-mails e mensagens em aplicativos dominam os fluxos de trabalho. Um pedido de reembolso, por exemplo, circula por várias mãos: o funcionário envia documentos por e-mail, um estagiário imprime, um analista confere, o gestor assina e o financeiro digita tudo novamente no sistema.

Nível 2 – Digitalização do fluxo

O processo passa a ser preenchido em formulário on-line e aprovado digitalmente. Regras automáticas agilizam etapas, mas ainda não há integração com outros sistemas. O controle se torna rastreável, reduzindo atrasos e erros.

Nível 3 – Integração entre sistemas

Os dados fluem de ponta a ponta. No reembolso, ao receber a aprovação do gestor, as informações são enviadas automaticamente para o ERP, eliminando digitação manual e melhorando a visibilidade do processo.

Nível 4 – Robótica de processos (RPA)

Robôs de software executam tarefas repetitivas, como acessar o internet banking, conferir dados, processar pagamentos e anexar recibos digitalizados. A equipe financeira ganha tempo para atividades analíticas.

Nível 5 – Automação cognitiva

Com IA, o sistema aprende, interpreta documentos via OCR inteligente, categoriza despesas, detecta padrões atípicos e sugere ações corretivas. Modelos preditivos antecipam comportamentos e ajudam a otimizar orçamentos.

Para Dias, o avanço entre os níveis depende menos da tecnologia e mais de pessoas, processos e cultura organizacional. Estruturas legadas, aprovações por e-mail e dependência de planilhas ainda são comuns, exigindo transformação ampla para que a automação se torne estratégica e autônoma.

Com informações de WizyThec

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