O Brasil marcou para 17 a 22 de dezembro a janela de seu primeiro lançamento comercial de foguete a partir do território nacional. A missão, batizada de Operação Spaceward, colocará em órbita o HANBIT-Nano, veículo de dois estágios da empresa sul-coreana Innospace, a partir da Base de Alcântara, no Maranhão.
Coordenação brasileira
Embora o foguete pertença à Innospace, toda a operação será conduzida por órgãos nacionais. A Força Aérea Brasileira (FAB) e a Agência Espacial Brasileira (AEB) são responsáveis por autorizar o voo, monitorar a trajetória e gerenciar a contagem regressiva segundo protocolos internacionais de segurança.
Entre 400 e 500 profissionais — civis e militares brasileiros, além de técnicos sul-coreanos — participam da ação. O Centro de Controle da FAB acompanhará em tempo real cada sistema do foguete, interrompendo o procedimento caso clima, sensores ou comunicação apresentem anomalias.
Cargas úteis
O HANBIT-Nano transportará oito cargas úteis: cinco satélites e três experimentos desenvolvidos por instituições do Brasil e da Índia. Os objetivos incluem coleta de dados ambientais, testes de comunicação em órbita, monitoramento de atividade solar e validação de tecnologias destinadas a drones, veículos e sistemas de navegação.
Características do foguete
Com cerca de 21 metros de altura, 20 toneladas e velocidade máxima de 30 mil km/h, o veículo utiliza motor híbrido HyPER, que combina propelentes sólido e líquido. A configuração permite ajustar a potência durante o voo, simplificando a operação e reduzindo riscos de falha. A separação das cargas ocorre aproximadamente três minutos após a decolagem.
Vantagens de Alcântara
Localizada próxima à Linha do Equador, a Base de Alcântara oferece economia de combustível e maior flexibilidade de trajetórias. Apesar desse potencial, a instalação permaneceu subutilizada por anos, em parte devido ao acidente de 2003, que resultou na morte de 21 técnicos, e a impasses fundiários com comunidades quilombolas.
Imagem: Innospace
Nos últimos anos, o cenário começou a mudar. O Acordo de Salvaguardas Tecnológicas firmado com os Estados Unidos em 2019 facilitou o uso comercial da base. Em 2024, um termo de conciliação definiu oficialmente o território quilombola e a área do centro de lançamento, permitindo novas operações.
Se a Operação Spaceward ocorrer conforme o cronograma, o Brasil dará um passo concreto para ingressar no mercado global de lançamentos espaciais, abrindo caminho para futuros investimentos em Alcântara.
Com informações de WizyThec

