Inteligência artificial reduz procura por tradutores e acelera adoção de ferramentas automáticas

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A popularização de sistemas de tradução em tempo real baseados em inteligência artificial (IA) vem diminuindo a demanda por profissionais humanos, indicou reportagem do The Wall Street Journal. Tradutores relatam queda no volume de trabalho desde que empresas e consumidores passaram a recorrer com mais frequência a softwares automáticos.

“Estou vendo as ferramentas de IA assumirem o controle”, disse o tradutor Nathan Chacón ao jornal norte-americano. Segundo o veículo, a tendência não é recente: há décadas máquinas realizam a primeira versão do texto e especialistas fazem a revisão. A diferença agora é a rapidez com que os recursos de IA avançam.

Estudos apontam aceleração da mudança

Levantamento da Microsoft indica que companhias que utilizam intérpretes podem substituir parte desses serviços por soluções automatizadas. Ainda assim, o professor associado de IA do Oxford Internet Institute, Carl Benedikt Frey, acredita que tradutores permanecerão essenciais em setores regulamentados, onde a precisão terminológica é crucial.

Em segmentos mais amplos, a substituição já ocorre. No início de 2025, o aplicativo Duolingo dispensou parte de seus tradutores e recorreu à IA, medida que gerou reclamações de usuários.

Riscos em conteúdos sensíveis

Para Andy Benzo, presidente da Associação Americana de Tradutores, confiar unicamente na IA para documentos jurídicos, médicos ou financeiros eleva o risco de erros graves, o que pode exigir ainda mais tempo dos revisores humanos.

Big Techs investem em tradução simultânea

A oferta de produtos com tradução em tempo real cresce:

  • Google Pixel 10: interpreta conversas ao vivo entre inglês e outros 10 idiomas, incluindo português, mantendo tom de voz mesmo sem conexão à internet;
  • Apple AirPods Pro 3: recurso de tradução instantânea durante encontros presenciais;
  • Óculos Meta Ray-Ban e futuros óculos Android XR: tradução de voz integrada;
  • Microsoft e Google: legendas e dublagem automática em videoconferências, com reprodução das vozes originais dos participantes.

Efeito colateral: interesse em aprender idiomas

Apesar da automação crescente, o professor assistente de linguística aplicada Erik Voss, da Universidade de Columbia, avalia que essas tecnologias podem despertar curiosidade por novos idiomas, ainda que os usuários dependam da IA para traduções cotidianas.

Especialistas concordam que, enquanto os sistemas evoluem, profissionais humanos continuarão necessários para garantir qualidade em conteúdos que exigem rigor terminológico e adequação cultural.

Com informações de WizyThec

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