Último dia da COP30 pode ser prorrogado após incêndio; texto final mantém meta de emissões zero em 2050

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A sexta-feira, 21 de novembro, marca o término oficial da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA). Apesar do cronograma, o presidente da conferência, André Corrêa do Lago, admitiu que as discussões podem avançar além do previsto devido a um incêndio ocorrido na quinta-feira (20) em um dos pavilhões do evento.

Segundo Corrêa do Lago, as atividades desta sexta começaram com consultas virtuais e por telefone entre os grupos regionais. Com a reabertura da Zona Azul, as negociações deverão prosseguir “pela manhã e durante todo o dia”, podendo se estender, como costuma acontecer em edições anteriores das COPs.

Principais pontos do rascunho

Divulgado na quarta-feira (19), o rascunho do texto final indica que os países pretendem reafirmar o compromisso de levar o planeta à neutralidade de carbono até meados do século (2050). O documento:

  • mantém viva a meta do Acordo de Paris (2015);
  • defende prazos e formas de implementação para eliminar progressivamente combustíveis fósseis;
  • propõe metas para extinguir o uso de carvão e reduzir drasticamente petróleo e gás;
  • sugere mecanismos de cooperação internacional que assegurem transição justa em regiões dependentes dessas fontes.

O texto enfatiza a necessidade de ampliar o financiamento climático para adaptação, mitigação, perdas e danos, além de apoiar projetos liderados por povos indígenas e comunidades tradicionais. Sem recursos “previsíveis e suficientes”, destaca o rascunho, não haverá transição possível.

Também é apontado o caráter estratégico de transições energéticas justas, com expansão de renováveis, redes de transmissão e sistemas descentralizados, notadamente na Amazônia.

Propostas brasileiras em foco

Como país-sede, o Brasil colocou na mesa o Tropical Forests Forever Fund (TFFF), destinado a financiar ações de preservação em florestas tropicais de 70 países. De acordo com o Itamaraty, o fundo pode captar até US$ 125 bilhões, mas soma hoje cerca de US$ 6,6 bilhões em promessas — incluindo a recente doação de € 1 bilhão da Alemanha.

Outra iniciativa, o “mapa do caminho para os combustíveis fósseis”, enfrenta resistência de grandes produtores e consumidores de petróleo, gás e carvão. Nos bastidores, há articulação para retirar o item do texto final. Em contrapartida, mais de 30 países — entre eles Colômbia, França, Reino Unido e Alemanha — enviaram carta ao governo brasileiro avisando que não assinarão o acordo se o roteiro não for incluído.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a elaboração de um calendário global para superar petróleo, gás natural e carvão, ressaltando a importância de realizar a conferência na Amazônia “para mostrar o bioma ao mundo”. Os detalhes do roadmap seguem em debate, e uma proposta apresentada pela Colômbia em 2024 é vista como possível meio-termo.

Expectativa de consenso

Corrêa do Lago apontou desafios geopolíticos e financeiros, mas disse perceber “vontade de alcançar um resultado bom e ambicioso em Belém”. Para ele, chegar a um acordo concreto é fundamental para reforçar o multilateralismo.

As negociações continuam ao longo do dia, e delegações não descartam trabalho estendido durante o fim de semana para finalizar o documento.

Com informações de WizyThec

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