Um trabalho publicado na revista Science Advances apresentou a primeira explicação conclusiva de como os maias empregavam o Codex de Dresden para antecipar eclipses solares entre 350 e 1150 d.C. A pesquisa foi conduzida pelo linguista John Justeson e pelo arqueólogo Justin Lowry, que analisaram a tabela de 405 meses lunares — 11.960 dias — contida no manuscrito.
Como funcionava a previsão
Ao contrário da hipótese tradicional, que tratava a tabela como um ciclo contínuo reiniciado no mês 1 ao completar o mês 405, a nova interpretação determina que cada ciclo começava no mês 358 do período anterior. Eventualmente, para corrigir pequenos desvios, o ciclo seguinte podia iniciar no mês 223. Esse ajuste assegurava precisão por séculos.
Precisão confirmada
Comparada a cálculos astronômicos atuais, a técnica maia:
- Previu todos os eclipses solares visíveis na região durante aproximadamente 800 anos;
- Apresentou margem de erro inferior a 2 h 20 min na maioria das ocorrências;
- Manteve desvios abaixo de 51 min em intervalos de 134 anos;
- Pôde operar indefinidamente graças às correções nos meses 358 ou 223.
Significado cultural
Para a sociedade maia, eclipses solares tinham profundo valor ritual. Governantes recorriam a sacerdotes-astrônomos, os daykeepers, para planejar cerimônias de sangue destinadas a “fortalecer” o deus Sol durante o breve obscurecimento. De acordo com a historiadora Kimberley Breuer, da Universidade do Texas, a capacidade de prever esses eventos era vista como crucial para decisões políticas e religiosas.
O manuscrito
Escrito entre os séculos XI e XII, o Codex de Dresden tem 78 páginas de papel de casca de árvore ilustradas com dados sobre ciclos lunares, astrologia, medicina e fenômenos celestes. A descoberta reforça o nível de sofisticação matemática e organizacional da civilização maia, cuja cosmologia integrava ciência, religião e poder.
Imagem: Ludovic Farine
Com a nova interpretação, pesquisadores demonstram que o sistema maia rivaliza, em exatidão, com modelos desenvolvidos muito depois no Ocidente.
Com informações de WizyThec

