Um levantamento do The Washington Post, publicado em 19 de novembro de 2025, analisou mais de 250 conversas reais de pacientes que recorreram ao ChatGPT antes de procurar um médico. As interações foram revisadas pelo médico Robert Wachter, chefe do Departamento de Medicina da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF).
Desempenho variável
Wachter avaliou 12 diálogos selecionados pelo colunista Geoffrey A. Fowler. Quatro respostas do chatbot receberam nota 10 por apresentarem explicações claras, detalhadas e com alertas sobre sintomas graves, como um caso de tosse forte e persistente.
Por outro lado, quatro respostas foram consideradas inadequadas — duas por falta de perguntas essenciais e duas por sugerirem condutas potencialmente nocivas. Em uma delas, o ChatGPT deixou de investigar a intensidade da dor de um paciente que havia desmaiado com dor abdominal. Em outra, mencionou medicamentos antiparasitários usados em animais como opção para um tumor, sem destacar que o tratamento padrão para câncer testicular possui alta taxa de cura.
Quando o chatbot acerta
Segundo o médico, o modelo se sai melhor quando o usuário fornece informações detalhadas, incluindo cronologia, intensidade dos sintomas e histórico. Nessas circunstâncias, a ferramenta mostrou utilidade para:
- explicar resultados de exames de forma simples;
- organizar perguntas para a consulta;
- comparar sintomas objetivamente;
- apontar sinais que exigem atenção;
- esclarecer termos técnicos citados pelo profissional de saúde.
Limitações reconhecidas
Para Wachter, o principal problema não é a ocorrência de “alucinações”, mas a dificuldade do ChatGPT em reconhecer situações de urgência. “O chatbot falha em uma função essencial de um médico: responder a uma pergunta com outra pergunta”, afirma.
Imagem: TippaPatt
A OpenAI diz que versões mais recentes do modelo já fazem mais questionamentos de acompanhamento. Mesmo assim, Wachter acredita que o avanço real virá quando esses sistemas imitarem médicos experientes, iniciando a anamnese, investigando causas, avaliando urgência e evitando validar ideias perigosas.
Embora o especialista reconheça que, para doenças comuns, o ChatGPT possa oferecer respostas melhores do que amigos ou familiares não médicos, ele ressalta que os usuários devem manter postura crítica e buscar atendimento profissional sempre que houver risco.
Com informações de WizyThec

