Um grupo de pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, desenvolveu um método que pode transformar as nuvens em aliadas na busca por vida fora da Terra. O estudo, publicado nesta semana no periódico Astrophysical Journal Letters, demonstra que colônias de microrganismos ― semelhantes às que habitam as nuvens terrestres ― deixam assinaturas coloridas detectáveis em exoplanetas.
A iniciativa partiu da astrobióloga Ligia Coelho, pós-doutoranda em astronomia em Cornell. Ao lembrar que nuvens terrestres abrigam microrganismos produtores de biopigmentos — compostos que protegem contra a radiação ultravioleta —, Coelho propôs verificar se a mesma característica poderia ser observada em mundos distantes.
Para isso, a equipe elaborou espectros de refletância, um catálogo de cores que registra como esses pigmentos interagem com a luz. Aplicando essa referência a simulações de atmosferas extrassolares, os cientistas concluíram que nuvens contendo microrganismos apresentariam tonalidades distintas em comparação às formações livres de vida.
“Encontrar vida colorida na atmosfera da Terra abriu uma possibilidade completamente nova para descobrirmos vida em outros planetas, mesmo que o céu esteja encoberto”, afirmou em comunicado a professora de astronomia Lisa Kaltenegger, também integrante da pesquisa.
Imagem: Adam B. Langeveld
Os autores destacam que telescópios de próxima geração, como o Observatório de Mundos Habitáveis (HWO), da NASA, e o Extremely Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul, poderão testar a técnica observando exoplanetas candidatos nos próximos anos.
Com informações de WizyThec

