Localizada a 1,5 mil metros de altitude no deserto da Jordânia, Petra preserva fachadas esculpidas diretamente no arenito avermelhado e segue revelando novos achados arqueológicos dois milênios após seu auge. Capital do reino nabateu, a cidade chegou a abrigar entre 20 mil e 30 mil habitantes e prosperou graças a impostos que chegavam a 25 % sobre as mercadorias que cruzavam a rota do incenso, além da cobrança até pela água consumida pelos camelos dos viajantes.
Centro comercial nabateu
Fundada por tribos árabes que adotaram o aramaico como língua, Petra tornou-se núcleo estratégico entre a Arábia Meridional, a África, a Índia e o Mediterrâneo greco-romano. Os nabateus negociavam especiarias, incenso, seda e outros produtos valiosos. Na arquitetura, combinaram elementos helenísticos, como colunas coríntias e frontões, a técnicas locais de escavação de rocha.
Al Khazna, o Tesouro
Logo após o desfiladeiro Siq ergue-se a fachada monumental de Al Khazna, cuja função permanece debatida: tumba real, templo ou tesouraria. Uma hipótese aponta o edifício como mausoléu dedicado ao rei Aretas IV (9 a.C. – 40 d.C.).
Engenharia hídrica avançada
Para vencer o clima árido, os nabateus construíram canais entalhados na rocha, cisternas, reservatórios, túneis subterrâneos para resfriar a água e represas que protegiam o Siq de enchentes sazonais. Terraços agrícolas próximos a Beidha sustentavam vinhedos, oliveiras, trigo e cevada.
Descobertas recentes
Em 2024, pesquisadores encontraram sob o Tesouro uma tumba com 12 esqueletos datados entre o século I a.C. e o início do século II d.C. Fragmentos cerâmicos e um possível cálice estavam entre os vestígios. Arqueólogos já haviam identificado sepultamentos semelhantes na região há cerca de 20 anos.
Religião e sociedade
Inscrições funerárias mostram que os nabateus eram politeístas, venerando divindades como Dushara e Allat. Inicialmente representados por blocos de pedra (bétilos), esses deuses passaram a ser retratados com formas humanas sob influência greco-romana e indiana.
Ascensão e queda
A monarquia nabateia foi instituída em 168 a.C. com Aretas I e dividia o poder com o conselho Gerúsia. O declínio começou em 20 d.C., quando o navegador grego Hipalo traçou uma rota marítima para o Oriente, enfraquecendo o monopólio comercial de Petra. Em 106 d.C., o Império Romano anexou o território. Terremotos em 363 d.C. e 551 d.C. danificaram o sofisticado sistema hidráulico e aceleraram o abandono da cidade.
Imagem: Projecturk
Redescoberta e status atual
O explorador suíço Johann Burckhart redescobriu Petra em 1812, disfarçado de peregrino muçulmano. As primeiras escavações científicas começaram na década de 1920. Declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1985 e cenário de “Indiana Jones e a Última Cruzada” em 1989, apenas 2 % da área central foi escavada, mas já expôs cerca de 800 estruturas.
Enchente de 2025
Em maio de 2025, uma enxurrada repentina atingiu o sul da Jordânia, incluindo Petra. Centenas de turistas foram retirados às pressas; duas pessoas, mãe e filho belgas, morreram.
Mesmo com as dificuldades de preservação, arqueólogos estimam que extensas áreas residenciais e administrativas ainda permaneçam soterradas, aguardando novas campanhas de pesquisa.
Com informações de WizyThec

