Um tornado classificado como F3 pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) atingiu a região Centro-Sul do estado na noite de sexta-feira (7), provocando seis mortes e deixando cerca de 750 feridos atendidos até sábado (8).
A cidade mais afetada foi Rio Bonito do Iguaçu, onde aproximadamente 90% das edificações sofreram danos. Em razão da destruição, a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) marcada para domingo (9) foi adiada no município.
Ventania equivalente a 250 km/h
De acordo com o Simepar, as rajadas alcançaram 250 km/h. O fenômeno foi gerado por um ciclone extratropical que avançou pelo Sul do Brasil. O pesquisador Daniel Henrique Cândido, doutor em geografia pela Unicamp, afirmou ao g1 que o episódio pode se enquadrar entre os dez tornados mais intensos já registrados no país.
Brasil como área de risco
Segundo Cândido, o território brasileiro compõe a segunda região de maior risco de tornados no planeta, atrás apenas do chamado “corredor dos tornados” nos Estados Unidos. Ele atribui essa condição à topografia plana do Centro-Sul da América do Sul e à interação entre diferentes massas de ar, intensificada pela Cordilheira dos Andes, a oeste, e pela Serra do Mar, no litoral.
Escala brasileira de ventos
Na tese de doutorado defendida em 2012, o especialista propôs a Escala Brasileira de Ventos (Ebrav), com valores de 0 a 7. Pelos critérios sugeridos, o tornado paranaense atingiria o nível 6, caracterizado por colapso de casas de alvenaria, levantamento de veículos, quebra de postes de concreto e torres de alta tensão, além de estilhaçamento de vidros em prédios altos.
Imagem: Governo do Paraná
Prevenção ainda é desafio
Embora os tornados sejam menos frequentes que na América do Norte, Cândido ressalta a necessidade de consolidar uma cultura de prevenção no Brasil, que inclui acompanhar alertas meteorológicos e adaptar construções para reduzir riscos à população.
Com informações de WizyThec

