Um estudo conduzido pela antropóloga Helen Fischer na State University of New York investigou as alterações cerebrais de pessoas intensamente apaixonadas. Imagens de ressonância magnética funcional (fMRI) mostraram que a simples visualização da foto da pessoa amada aumenta o fluxo sanguíneo em áreas específicas do cérebro, em comparação com a imagem de um conhecido qualquer.
Três substâncias em destaque
Os pesquisadores identificaram três neurotransmissores como protagonistas das sensações ligadas ao amor romântico:
- Dopamina – considerada o principal “motor” da paixão, provoca euforia, aceleração dos batimentos cardíacos, dificuldade para dormir e foco quase exclusivo no parceiro. Níveis elevados dessa substância também reduzem a atividade do córtex pré-frontal, região relacionada ao pensamento lógico e à tomada de decisões, explicando por que falhas do companheiro costumam passar despercebidas nessa fase.
- Norepinefrina – responsável pelo aumento de energia e disposição. Mesmo tarefas rotineiras podem ganhar novo ânimo quando o sentimento está presente.
- Serotonina – ao contrário das duas anteriores, apresenta queda durante a paixão. A redução está associada a pensamentos repetitivos sobre o outro e dificuldade de lidar com rejeição ou término.
Sintomas comparados a dependência
Artigo publicado na revista Frontiers in Psychology aponta que o início de um amor intenso compartilha características com vícios em substâncias, como euforia, fissura, tolerância e sintomas de abstinência. Os autores classificam o fenômeno como um “vício natural” geralmente positivo, que teria evoluído há cerca de 4 milhões de anos como estratégia de sobrevivência da espécie, incentivando a formação de pares e a reprodução.
Entre as manifestações físicas mais relatadas estão aceleração cardíaca, “frio na barriga”, suor nas mãos e perda de apetite. Do ponto de vista comportamental, destaca-se o hiperfoco no parceiro e a sensação de bem-estar que leva muitos apaixonados a se sentirem mais produtivos e bem-humorados no dia a dia.
Imagem: Mehaniq Shutterstock. Edição Kelvin Leão via Gini
Com informações de WizyThec

