General Motors, Tesla e Mercedes-Benz se aproximam de lançar veículos com direção autônoma nível 3 — sistema que permite ao motorista tirar as mãos do volante e desviar o olhar da pista em situações específicas. A novidade, prevista para chegar às ruas já na próxima década, reaquece a discussão sobre quem responde legalmente por acidentes quando a máquina falha.
Como funciona o nível 3
No patamar de automação classificado como nível 3, o carro assume completamente a condução em determinados trechos. O ocupante do banco do motorista pode assistir a vídeos, usar o celular ou até jogar, mas deve permanecer disponível para reassumir o controle caso o sistema solicite.
Planos das montadoras
A General Motors pretende estrear seu recurso de condução “eyes-off” até 2028, começando pelo Cadillac Escalade IQ. Depois, a tecnologia deve chegar a Chevrolet, Buick e GMC. O novo pacote vai além do atual Super Cruise, liberando o condutor de manter os olhos na via.
Já a Mercedes-Benz oferece o Drive Pilot em trechos limitados da Califórnia e de Nevada, nos Estados Unidos. A montadora afirma cobrir eventuais falhas de seu sistema nessas rotas, postura ainda rara no setor.
Tesla, Ford, Honda e Stellantis também desenvolvem soluções similares, mas enfrentam barreiras regulatórias: em vários estados norte-americanos, a operação de veículos nível 3 ainda não é permitida.
Vácuo jurídico
A ausência de regras claras tem levado motoristas aos tribunais. Condutores da Uber e proprietários de modelos Tesla já foram acusados de homicídio culposo após acidentes ocorridos com recursos automáticos ativados. Em outro caso, um júri da Flórida determinou culpa compartilhada entre Tesla e o motorista, condenando a empresa a pagar US$ 243 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão) a familiares de vítimas.
Para o advogado especializado em mobilidade Mike Nelson, o Judiciário ainda busca definir a linha divisória entre erro humano e defeito de software, cenário que ele descreve como “inevitavelmente caótico” durante a transição tecnológica.
Imagem: Gorodenkoff
Desafios de segurança
Mesmo equipados com câmeras, radares e sensores de monitoramento de atenção, os sistemas autônomos continuam dependentes do fator humano. Estudos citados pelo Insurance Institute for Highway Safety indicam que motoristas têm dificuldade de reagir com precisão após longos períodos sem interagir com o volante, o que pode agravar incidentes quando o veículo exige intervenção imediata.
A pesquisadora Alexandra Mueller alerta que a coexistência entre carros convencionais e modelos autônomos deve durar décadas, exigindo transparência das montadoras para conquistar a confiança do público.
Enquanto a tecnologia avança e o entusiasmo cresce, fabricantes, governos e tribunais correm para definir quem pagará a conta quando a condução “sem mãos e sem olhos” falhar.
Com informações de WizyThec

