A Agência Espacial Europeia (ESA) começa neste domingo, 2 de novembro, uma campanha de observação do cometa interestelar 3I/ATLAS com a sonda JUICE. A iniciativa ocorre enquanto a espaçonave segue em cruzeiro rumo a Júpiter, onde chegará em 2031 para estudar as luas geladas Ganimedes, Calisto e Europa.
Quem, onde e quando
Entre 2 e 25 de novembro de 2025, a JUICE utilizará cinco instrumentos de sensoriamento remoto para registrar o visitante interestelar logo após o periélio, alcançado em 29 de outubro. O posicionamento entre sonda, Sol e cometa nesse período garante condições térmicas seguras para os equipamentos.
Como será a coleta de dados
Serão empregados a câmera principal, um imageador no infravermelho próximo, um espectrômetro ultravioleta, um instrumento submilimétrico e um sensor de átomos neutros. Por estar a grande distância do objeto, a JUICE fará apenas medições remotas. Os arquivos científicos, transmitidos a baixa taxa devido ao alinhamento com a Terra, devem chegar aos centros de controle somente em 2026.
Planejamento adaptado
Inicialmente, nenhuma atividade de carga útil estava prevista para a fase de cruzeiro. Segundo Olivier Witasse, cientista do projeto, a raridade da passagem de um cometa de outra estrela motivou a inclusão das observações, divididas em janelas curtas para reduzir riscos à espaçonave.
Rota até Júpiter
Lançada em abril de 2023, a JUICE aproveita sobrevoos programados pela Terra e por Vênus para ganhar velocidade antes de entrar no sistema joviano. A mesma trajetória permitiu alinhar a sonda com o 3I/ATLAS logo após o pico de atividade do cometa, caracterizado pela coma brilhante e cauda pronunciada.
Importância científica
Comparar a composição do 3I/ATLAS com a de cometas formados no Sistema Solar pode esclarecer como água e moléculas orgânicas circulam entre estrelas. A análise ajudará também a contextualizar futuras descobertas sobre os potenciais oceanos sob o gelo das luas de Júpiter que a JUICE investigará.
Imagem: Shutterstock
Sem risco para a Terra
O 3I/ATLAS fará sua maior aproximação do nosso planeta em dezembro, mas permanecerá a distância segura, sem efeitos práticos. Ainda assim, a passagem oferece à comunidade científica uma chance rara de estudar um corpo vindo de fora da Via Láctea.
As observações da JUICE reforçam a tendência de aproveitar fases de travessia para produzir ciência de alto impacto, otimizando o uso de instrumentos que, no futuro, também podem beneficiar aplicações em monitoramento ambiental e diagnóstico por imagem.
Com informações de WizyThec

