James Webb identifica disco rico em moléculas que pode dar origem a luas em torno de planeta gigante

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O Telescópio Espacial James Webb (JWST) detectou, pela primeira vez, a composição química de um disco de gás e poeira que pode estar formando luas ao redor de CT Cha b, objeto com massa cerca de 17 vezes superior à de Júpiter.

As medições, obtidas com o espectrógrafo de média resolução do instrumento de infravermelho médio (MIRI), revelaram a presença de acetileno, benzeno, dióxido de carbono, diacetileno, etano, cianeto de hidrogênio e propino — ingredientes considerados fundamentais para o crescimento de satélites naturais. Outras moléculas devem existir no local, mas ainda não foram identificadas.

Planeta ou anã marrom?

CT Cha b encontra-se na fronteira de classificação entre planeta gigante e anã marrom de baixa massa. Ele orbita uma estrela com apenas dois milhões de anos, situada a 625 anos-luz da Terra, na constelação de Camaleão.

O disco circumplanetário responsável por alimentar a possível “fábrica” de luas ainda não revelou nenhum satélite, mas a riqueza de moléculas ricas em carbono indica que o processo de formação pode estar em andamento.

Observação detalhada

A astrônoma Sierra Grant, da Carnegie Institution for Science (EUA), contou que a equipe percebeu sinais de moléculas nos dados de arquivo e passou um ano extraindo informações para confirmar o achado. Grant liderou o estudo ao lado de Gabriele Cugno, da Universidade de Zurique (Suíça).

Segundo Cugno, as novas medições mostram o material que está sendo incorporado ao planeta e às futuras luas. CT Cha b faz parte de um disco circumestelar onde planetas se formam, mas mantém distância extrema da estrela central: 440 unidades astronômicas (cerca de 65 bilhões de quilômetros). Modelos sugerem que o objeto pode migrar para regiões mais internas em aproximadamente um milhão de anos.

Evolução independente

Descoberto por imagem direta em 2006 com o Very Large Telescope (VLT), no Chile, CT Cha b teve seu disco confirmado depois pelo instrumento SPHERE, também do VLT. Estudos recentes do JWST mostraram que o disco circumplanetário é rico em grãos de gelo, porém pobre em carbono, sinalizando que sua química evoluiu de maneira independente nos últimos dois milhões de anos.

Próximos passos

Embora exoluas ainda não tenham sido confirmadas, alguns candidatos já foram identificados em outros sistemas. Pesquisadores acreditam que satélites naturais possam ser mais numerosos que os próprios planetas, lembrando que Júpiter e Saturno contam com 95 e 274 luas confirmadas, respectivamente.

Os cientistas pretendem aprofundar as observações de CT Cha b e analisar outros discos formadores de luas para comparar semelhanças e diferenças que ajudem a explicar a origem das luas do Sistema Solar. Os resultados do trabalho foram publicados nesta segunda-feira (29) na revista The Astrophysical Journal Letters.

Com informações de WizyThec

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