Brasília, 29 de outubro de 2025 – O “Relatório do Estado do Clima 2025”, publicado hoje na revista BioScience, indica que 22 dos 34 indicadores vitais do planeta alcançaram níveis recordes, reforçando a preocupação de cientistas sobre a aproximação de pontos de inflexão irreversíveis no sistema climático.
Década mais quente já medida
Segundo a análise conduzida por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon e do Instituto Potsdam de Pesquisa sobre Impacto Climático, 2024 foi o ano mais quente desde o início dos registros e, possivelmente, o mais quente dos últimos 125 mil anos. A concentração de dióxido de carbono (CO₂) superou 430 partes por milhão em maio de 2025, marca inédita em milhões de anos.
Mecanismos que aceleram o aquecimento
O estudo destaca três fatores que estão intensificando o aquecimento global:
- Redução do resfriamento provocado por aerossóis atmosféricos;
- Maior retenção de calor por nuvens, que refletem menos radiação solar;
- Diminuição da refletividade da superfície terrestre, aumentando a absorção de energia.
Esse conjunto de mecanismos pode empurrar o clima para uma trajetória de “estufa terrestre”, em que o aquecimento prossegue mesmo com queda das emissões.
Pressão humana no centro da crise
O relatório aponta o crescimento populacional, o consumo elevado e a expansão econômica como motores da crise. Desde 1990, os 10 % mais ricos foram responsáveis por dois terços do aquecimento observado. Em 2024, o uso de carvão, petróleo e gás bateu recorde, e a energia fóssil foi 31 vezes superior à proveniente de fontes renováveis. As emissões energéticas subiram 1,3 %, alcançando 40,8 gigatoneladas de CO₂; China, Índia e Estados Unidos responderam por mais da metade desse total.
Impactos em florestas, oceanos e polos
A perda de cobertura arbórea associada a incêndios aumentou 370 % em 2024. O desmatamento de florestas tropicais primárias liberou 3,1 gigatoneladas de CO₂, equivalente a 8 % das emissões globais do ano, embora o desmatamento na Amazônia tenha caído 30 %. Nos oceanos, o calor atingiu novo recorde, provocando o maior branqueamento de corais já registrado e afetando 84 % dos recifes entre 2023 e 2025.
Imagem: teteescape
A acidificação marinha segue em alta, a taxa de elevação do nível do mar dobrou em três décadas, e o volume de gelo na Groenlândia e na Antártida atingiu mínimas históricas. Sinais de enfraquecimento da Circulação Meridional do Atlântico (AMOC) também preocupam os cientistas, pois podem desencadear mudanças climáticas em cascata.
Janela para ação ainda existe
Apesar do panorama crítico, os autores ressaltam que é possível evitar cenários extremos. A rápida eliminação de combustíveis fósseis e a expansão de energia solar e eólica poderiam fornecer até 70 % da eletricidade mundial até 2050. Restaurar ecossistemas como florestas e manguezais teria potencial para remover até 10 gigatoneladas de CO₂ por ano. Medidas como redução do desperdício de alimentos e adoção de dietas mais vegetais também são listadas como essenciais.
O relatório conclui que superar a crise climática exige, além de soluções tecnológicas, políticas de equidade e mobilização social capazes de acionar “pontos de inflexão positivos” no sistema global.
Com informações de WizyThec

