Kingston (Jamaica) – Uma aeronave do 53º Esquadrão de Reconhecimento Meteorológico da Força Aérea dos Estados Unidos atravessou o furacão Melissa na segunda-feira (27) e registrou imagens inéditas do interior da tempestade, que alcançou a categoria 5 e já figura entre as mais fortes da história jamaicana.
O voo, realizado a pedido do Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC), teve como objetivo coletar dados sobre pressão, velocidade do vento e umidade para refinar os modelos de previsão. Durante a passagem pela parede do olho, câmeras instaladas a bordo flagraram o chamado “efeito estádio” — curvatura das nuvens para fora em níveis mais altos da atmosfera, formando uma estrutura semelhante a uma arena.
Travessia turbulenta
Relatos da tripulação descrevem forte turbulência enquanto o avião cruzava o anel de nuvens densas que circunda o centro do ciclone. Após concluir a terceira incursão no interior da tempestade, a equipe acionou procedimentos de segurança e submeteu a aeronave a inspeção completa antes de retomar operações regulares.
Impacto em terra
Na terça-feira (28), Melissa tocou o solo jamaicano ainda na categoria 5, com ventos que chegaram a 298 km/h — o maior valor já registrado no país. Segundo o NHC, a intensidade o coloca no mesmo patamar do furacão Dorian (2019) e do furacão do Labor Day (1935), os dois mais fortes da bacia do Atlântico. Depois do impacto inicial, a velocidade máxima sustentada caiu para 270 km/h.
A Organização Meteorológica Mundial classifica o fenômeno como “tempestade do século” para a Jamaica. Autoridades locais alertam para risco extremo de enchentes, deslizamentos e marés de tempestade, e decretaram medidas de emergência. O sistema deve seguir rumo a Cuba e, posteriormente, às Bahamas na noite de quarta-feira (29).
Imagem: NOAA
O NHC reforça que dados obtidos pelos “caçadores de furacões” são cruciais para aprimorar alertas e proteger comunidades em áreas potencialmente afetadas.
Com informações de WizyThec

