Um estudo publicado na revista Science descreve como quatro fósseis de Edmontossauro encontrados no leste de Wyoming, Estados Unidos, foram preservados por um processo de mumificação natural mediado por microrganismos há mais de 66 milhões de anos.
Redescoberta de uma “zona de múmias”
Os dois primeiros exemplares surgiram durante escavações de 1908 e 1909 conduzidas pelo caçador de fósseis Charles H. Sternberg. O primeiro foi encaminhado ao Museu Americano de História Natural, em Nova York, e o segundo a um museu na Alemanha. Mais de um século depois, pesquisadores retornaram à mesma região — apelidada de “zona de múmias” — e exumaram outros dois indivíduos. Todos os fósseis estavam distribuídos em uma faixa de quase 10 quilômetros.
Detalhes de preservação inéditos
Os quatro esqueletos mantêm traços raros, como pele escamosa e o primeiro registro conhecido de cascos em dinossauros. Tomografias computadorizadas e análises em microscópios eletrônicos não detectaram resíduos orgânicos, indicando que carne e pele se desintegraram antes de serem soterradas.
Segundo a equipe, após a decomposição inicial, um biofilme microbiano recobriu as carcaças ressecadas, deixando uma fina camada de argila. Esse revestimento moldou detalhes de escamas e outros tecidos antes da mineralização dos ossos, criando fósseis excepcionalmente completos.
Imagem: Danny Ye
Ambiente inesperado
Durante o fim do período Cretáceo, o leste do Wyoming era um vale fluvial costeiro sujeito a enchentes sazonais. A forma de preservação observada costuma ocorrer em ambientes marinhos tranquilos, tornando incomum encontrar exemplares tão bem conservados em um antigo leito de rio. Para os autores, a descoberta sugere que fósseis semelhantes podem aguardar escavações futuras na região.
Com informações de WizyThec

