A OpenAI, junto aos fundos Founders Fund e Lux Capital, destinou US$ 30 milhões à Valthos, startup sediada em Nova York que desenvolve ferramentas de inteligência artificial voltadas à segurança biológica.
O investimento, anunciado nesta quinta-feira (24/10/2025), marca a primeira aposta da OpenAI em biossegurança. A Valthos opera, até agora, de forma discreta e foca em detectar e prevenir agentes biológicos sintéticos que possam ser criados ou potencializados por sistemas de IA.
Como funciona a tecnologia
A empresa coleta dados biológicos de fontes governamentais e privadas — entre elas sistemas de monitoramento de ar e de águas residuais — e os processa com modelos de IA para identificar ameaças emergentes. O software também avalia riscos e sugere atualizações de contramedidas médicas diante de mutações ou novos padrões de contaminação.
Além da análise, a Valthos projeta parcerias com farmacêuticas para acelerar a produção e a distribuição de vacinas e tratamentos em caso de emergência. “A única forma de deter um ataque é saber quando ele acontece, atualizar as contramedidas e implantá-las rapidamente”, afirmou a CEO e cofundadora Kathleen McMahon, ex-líder da divisão de ciências biológicas da Palantir Technologies.
Cenário de investimentos e preocupações
O aporte chega em meio à retração do financiamento em biotecnologia, que atingiu o menor nível em mais de dez anos, segundo a PitchBook. Paralelamente, o avanço da IA reacendeu o interesse global em tecnologias de defesa, incluindo bioproteção.
Em relatório recente, a National Security Commission on Emerging Biotechnology advertiu que a área pode viver um “momento ChatGPT” e destacou o risco de a China despontar primeiro nesse segmento.
Visão dos investidores
Para Jason Kwon, diretor de estratégia da OpenAI, a proteção biológica requer “um ecossistema” que una empresas, governos e instituições de pesquisa. Ele frisou que o grupo permanece atento a evitar o uso indevido do ChatGPT.
Imagem: Ascannio
Ainda assim, especialistas lembram que startups do setor enfrentam o chamado vale da morte dos investimentos. Daniel Regan, pesquisador do Council on Strategic Risks, questiona se o valor levantado bastará para levar as soluções ao mercado.
Apesar dos desafios, investidores veem campo fértil. Delian Asparouhov, sócio do Founders Fund, observa que, antes de 2025, o tema era pouco debatido, mas agora “está realmente em evidência”. Já Brandon Reeves, da Lux Capital, defendeu que a defesa biológica deve ser tratada com a mesma prioridade das ameaças nucleares ou cibernéticas.
Com o novo financiamento, a Valthos planeja ampliar suas operações e avançar no desenvolvimento de tecnologias que permitam detecção rápida e resposta imediata a possíveis ataques biológicos.
Com informações de WizyThec

