A Apex, startup sediada em Los Angeles (EUA), divulgou que realizará, com recursos próprios, um voo de demonstração de interceptadores espaciais ligados ao programa de defesa antimísseis norte-americano conhecido como Domo de Ouro. O lançamento do Project Shadow está marcado para junho de 2026.
Constelação em órbita
Segundo a companhia, a missão colocará em órbita a plataforma Orbital Magazine, capaz de transportar mais de cinco toneladas de interceptadores. Durante o voo de teste, o veículo liberará dois protótipos, cada um equipado com motor-foguete sólido de alto impulso fornecido por um parceiro não identificado publicamente.
A Apex afirma que a plataforma demonstrará controle ambiental dos interceptores, emissão de comando de tiro e enlace cruzado em tempo real para atualização de dados após o desdobramento.
Investimento próprio e parceiros
O cofundador e CEO Ian Cinnamon declarou que a empresa está destinando cerca de US$ 15 milhões (R$ 80,7 milhões) do caixa ao projeto. Ele ressaltou que todos os componentes tecnológicos necessários já existem e que o principal desafio é integrar esses sistemas sob um comando sofisticado e em quantidade suficiente no espaço.
Uma possível fornecedora de propulsão é a Anduril Industries, de Palmer Luckey, com quem a Apex já manteve colaborações anteriores.
Concorrência no setor de defesa
Grandes contratistas norte-americanos também manifestaram interesse em interceptores espaciais. A Lockheed Martin planeja demonstrar um modelo em órbita até 2028, enquanto executivos da Northrop Grumman confirmaram testes terrestres de tecnologias relacionadas, sem detalhes adicionais.
Domo de Ouro: custos e controvérsias
Instituído por ordem executiva do presidente Donald Trump em seu segundo mandato, o Domo de Ouro pretende proteger os Estados Unidos contra mísseis balísticos, veículos hipersônicos e drones. O governo estima gastar US$ 175 bilhões (R$ 942,1 bilhões) nos próximos três anos, mas projeções independentes indicam valores que podem ultrapassar US$ 3 trilhões (R$ 16,1 trilhões) ao longo do programa.
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O Pentágono ainda não divulgou a arquitetura completa do sistema, o que gera incertezas sobre escopo e orçamento. Críticos no Congresso questionam o impacto financeiro e as implicações para a estabilidade estratégica global.
Modelo de contratação
Em paralelo ao anúncio, o Departamento de Defesa publicou solicitação de propostas para protótipos de interceptadores baseados no espaço. A estratégia prevê que várias empresas invistam recursos próprios para construir e lançar demonstradores, competindo posteriormente por contratos de produção em larga escala.
A Apex, fundada em 2022, já captou mais de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) e lançou seu primeiro satélite em 2024. Em fevereiro, firmou contrato de US$ 46 milhões (R$ 247,6 milhões) com a Força Espacial para fornecer satélites até 2032.
A empresa informou que divulgará novas atualizações sobre o Project Shadow à medida que o cronograma de 2026 se aproxima, enquanto outras companhias, de startups a grandes fornecedores de defesa, seguem disputando espaço em um mercado potencialmente trilionário.
Com informações de WizyThec

