O uso prolongado de omeprazol, medicamento indicado para tratar úlceras no estômago e no intestino, não tem relação de causa e efeito comprovada com o desenvolvimento de demência, apontam especialistas ouvidos pelo G1.
A suspeita surgiu após um estudo observacional sugerir associação entre inibidores da bomba de prótons (IBPs) — grupo que inclui omeprazol, pantoprazol e esomeprazol — e problemas cognitivos. No entanto, pesquisas posteriores, entre elas uma que avaliou mais de 250 mil pacientes, não confirmaram o elo.
Deficiência de vitamina B12 preocupa
O neurologista Iago Navas, da Clínica Sartor, explica que a ligação é indireta. A supressão prolongada do ácido gástrico, efeito dos IBPs, pode reduzir a absorção de vitamina B12. A carência desse nutriente está relacionada a fadiga, formigamentos, lapsos de memória e dificuldade de concentração. Segundo o especialista, a reposição vitamínica tende a reverter o quadro.
Recomendações de uso
Raphael Brandão, oncologista clínico e diretor da Clínica First, ressalta que o omeprazol não deve ser demonizado, mas usado de forma criteriosa: “A meta é a menor dose pelo menor tempo possível, com reavaliações médicas”, afirma.
Entre os riscos conhecidos do tratamento prolongado estão aumento da incidência de infecções intestinais e alterações na microbiota. Até o momento, contudo, não há comprovação científica de que o medicamento provoque demência.
Profissionais de saúde reforçam que a automedicação deve ser evitada e que pacientes em uso contínuo do fármaco procurem acompanhamento para ajustar dose e duração.
Com informações de WizyThec

