Fezes de mil anos revelam doenças que afetavam povos antigos no México

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Uma equipe da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, mapeou o DNA de dez amostras de fezes humanas ressecadas, datadas de mais de 1.000 anos, e identificou diversos patógenos que circulavam entre povos que viviam no Vale do Rio Zape, no México. Os vestígios foram retirados entre 1957 e 1960 da Caverna dos Meninos Mortos (La Cueva de Los Muertos Chiquitos), local conhecido pela baixa umidade que favorece a preservação de matéria orgânica.

Parasitas inéditos em material antigo

A análise, publicada na revista de acesso aberto PLOS One, revelou protozoários como Blastocystis e múltiplas cepas da bactéria Escherichia coli. O parasita mais frequente foi o oxiúro, considerado um dos vermes intestinais humanos mais comuns ainda hoje. Segundo os pesquisadores, alguns desses microrganismos nunca haviam sido detectados em fezes fossilizadas.

Para Drew Capone, coautor do estudo, cada amostra funcionou como “uma cápsula do tempo biológica”, oferecendo pistas sobre saúde, dieta e rotina de comunidades que habitavam a região há mais de um milênio.

Saneamento precário e limitações do estudo

A elevada incidência de helmintos indica que infecções intestinais e condições sanitárias inadequadas eram comuns entre o povo de Loma San Gabriel, que ocupava o Vale do Rio Zape naquela época. Ainda assim, os autores ressaltam que a investigação avaliou apenas dez amostras e focou em um número restrito de patógenos. Estudos futuros, com conjuntos maiores, devem ampliar o panorama sobre doenças que afetavam sociedades pré-colombianas.

Metodologia de ponta

O trabalho serve como prova de conceito para o uso de técnicas modernas de sequenciamento de DNA em arqueologia. Patógenos estritamente humanos, como oxiúros e Shigella, auxiliam a diferenciar fezes humanas de dejetos de outros animais, reforçando a precisão dos métodos moleculares aplicados.

Joe Brown, outro autor do artigo, destaca o “grande potencial” de análises direcionadas, sensíveis e específicas para rastrear a presença e o deslocamento de microrganismos em amostras antigas. A equipe pretende dar continuidade às investigações em parceria com outros laboratórios.

Com informações de WizyThec

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