Um estudo publicado nesta quarta-feira (22) na revista Science Advances descreve como astrônomos da civilização maia usavam o calendário sagrado Tzolkin para prever eclipses solares e lunares com erro de, no máximo, um dia — desempenho considerado notável para uma cultura que não dispunha de instrumentos ópticos.
Como o sistema funcionava
O Tzolkin possuía 260 dias e servia tanto para rituais quanto para cálculos astronômicos. No Códice de Dresden, um dos poucos manuscritos maias preservados, há uma tabela com 405 luas novas, equivalentes a 46 ciclos completos do calendário. A correlação permitia acompanhar as fases da Lua e identificar os momentos em que o Sol, a Terra e a Lua se alinham nos chamados nodos — condição necessária para a ocorrência de eclipses.
Quando o alinhamento acontece durante a Lua cheia, ocorre um eclipse lunar; se a conjunção se dá na Lua nova, forma-se um eclipse solar. Embora o fenômeno não seja mensal, os maias detectaram padrões nesses intervalos e criaram um método de previsão consistente.
Ajustes que mantiveram a precisão
Para evitar defasagens ao longo do tempo, especialistas conhecidos como “guardiões do dia” incorporavam dois ciclos astronômicos ao calendário: o inex, de 358 meses, e o saros, de 223 meses — ambos utilizados pela astronomia contemporânea. Essas correções garantiam que o sistema permanecesse funcional por séculos.
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Datação do calendário
Segundo o autor principal da pesquisa, John Justeson, da Universidade Estadual de Nova York (EUA), o Tzolkin empregado para previsão de eclipses foi criado entre 1083 e 1140. Modelos mostraram que, com os ajustes adequados, o método ainda poderia indicar eclipses que ocorrem nos dias atuais.
Com informações de WizyThec

