Empresas de IA constroem usinas próprias para driblar falta de energia nos EUA

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Grandes companhias de tecnologia que lideram o avanço da inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos estão criando suas próprias fontes de energia para manter data centers operando, diante da lentidão da rede elétrica norte-americana em atender à crescente demanda.

Projetos de geração independente

A OpenAI e a Oracle iniciaram a construção de uma usina a gás natural no Texas para abastecer o Stargate, projeto estimado em US$ 500 bilhões. A xAI, de Elon Musk, instalou turbinas a gás em instalações de Memphis, enquanto a Equinix já utiliza células de combustível em mais de uma dezena de unidades pelo país.

Rede elétrica não acompanha o ritmo

De acordo com a consultoria ICF, os EUA precisariam acrescentar 80 gigawatts (GW) de capacidade por ano para suprir a IA e outras tendências, mas hoje entregam menos de 65 GW. Esse déficit seria suficiente para alimentar duas Manhattans no pico do verão.

Antes de 2020, data centers respondiam por menos de 2% do consumo elétrico norte-americano; o Departamento de Energia e o Laboratório Nacional Lawrence Berkeley projetam participação de até 12% até 2028. Um único centro de dados pode consumir o equivalente a mil lojas Walmart, e cada busca por IA demanda dez vezes mais energia do que uma pesquisa tradicional na internet.

Pressão política e competição global

Em janeiro, o então presidente Donald Trump declarou emergência energética nacional para evitar que os EUA fiquem atrás da China na corrida da IA. Dados da Agência Internacional de Energia mostram que, neste ano, a China deve investir o dobro dos EUA em geração e transmissão. Em 2024, o país asiático adicionou cerca de 429 GW de nova capacidade, enquanto os norte-americanos implementaram 50 GW, segundo o Climate Energy Finance.

Filas até a próxima década

A ICF estima aceleração da expansão elétrica norte-americana a partir de 2027, mas, em algumas regiões, a fila de projetos é tão grande que a conexão de novos data centers à rede pode ficar para a década de 2030. Bill Stein, diretor de investimentos da Primary Digital Infrastructure, prevê escassez de energia por três a cinco anos.

Para Andy Power, presidente da Digital Realty, a geração local é apenas uma medida temporária: “Estamos erguendo pontes enquanto aguardamos a transmissão ou outras soluções”.

Gás natural assume papel central

A busca por equipamentos menores, como turbinas compactas e células de combustível movidas a gás natural, impulsiona fornecedores. A Caterpillar já anunciou investimento de US$ 725 milhões para ampliar uma fábrica de motores em Indiana, de olho nessa demanda.

Sem previsão de solução rápida na rede pública, as gigantes de IA seguem expandindo infraestrutura própria para garantir energia suficiente aos seus supercomputadores.

Com informações de WizyThec

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