Há um quarto de século, cálculos surpreendentes atribuíram 16 bilhões de anos à estrela HD 140283, apelidada de Matusalém, idade superior aos 13,8 bilhões de anos estimados para o próprio Universo. O resultado, obtido a partir de medições do satélite Hipparcos, balançou a comunidade científica e desencadeou uma série de revisões para entender a origem desse aparente paradoxo.
Quem é a Matusalém
Situada a cerca de 200 anos-luz da Terra, na constelação de Libra, HD 140283 é classificada como subgigante de alta velocidade e apresenta baixíssima concentração de metais — característica típica de estrelas formadas quando elementos pesados ainda eram escassos no cosmos. A velocidade indica que o astro é apenas um visitante temporário na vizinhança solar e deve retornar ao halo da Via Láctea no futuro.
Revisões de distância e idade
Em 2013, uma equipe liderada pelo astrônomo Howard Bond, da Universidade Estadual da Pensilvânia, utilizou o Telescópio Espacial Hubble para refinar a distância até a estrela, medida em 190,1 anos-luz. O grupo também encontrou uma proporção maior de oxigênio em relação ao ferro em seu interior. Esses fatores ajustaram a idade para 14,5 bilhões de anos, valor que, graças a uma incerteza de 0,8 bilhão de ano, passou a ser compatível com a cronologia do Universo.
Novos estudos continuaram a diminuir a margem. Em 2015, cálculos da NASA apontaram idade entre 13,7 e 12,2 bilhões de anos. Mais recentemente, uma pesquisa de 2021 sugeriu intervalo de 11,5 até 12,5 bilhões de anos. Mesmo dentro desses valores atualizados, HD 140283 segue como a estrela mais antiga conhecida.
Imagem: NASA
Próximos passos
A procura por medições ainda mais precisas prossegue. Futuras observações podem revelar candidatas ainda mais antigas ou demonstrar que a própria Matusalém é mais jovem do que se imagina atualmente. Até lá, o astro permanece como um dos objetos celestes mais valiosos para entender os primórdios da formação estelar.
Com informações de WizyThec

