A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) enviou um alerta ao governo federal sobre a vulnerabilidade criada pela alta concentração de data centers em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Fortaleza (CE).
O presidente do conselho diretor da autarquia, Carlos Baigorri, afirmou que a dispersão dessas estruturas pelo território nacional é fundamental para aumentar a segurança dos sistemas de dados e reduzir danos em eventuais incidentes.
“Todos os ovos na mesma cesta”
Em entrevista à Reuters, Baigorri comparou a situação a “colocar todos os ovos na mesma cesta”. Segundo ele, um tremor, um apagão ou qualquer outro evento crítico nessas cidades poderia gerar impactos em cadeia para todo o país.
O dirigente explicou que a forte presença de cabos submarinos e fatores econômicos impulsionaram a escolha de Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro. Na capital cearense, por exemplo, estão instalados 17 cabos submarinos na Praia do Futuro.
Plano em discussão com o Ministério das Comunicações
A Anatel informou que mantém diálogo com o Ministério das Comunicações para elaborar estratégias que distribuam data centers por outras regiões. Em nota, a agência destacou a necessidade de “diversificar a disposição geográfica” de infraestruturas digitais, incluindo cabos submarinos.
O Ministério das Comunicações não havia se manifestado até a publicação desta matéria.
Imagem: Oleksiy Mark
Incentivos fiscais
A discussão ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar, no mês passado, a Medida Provisória que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata). O programa destina incentivos a empresas de computação em nuvem e inteligência artificial, com o objetivo de estimular investimentos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 reserva R$ 5,2 bilhões ao Redata. A partir de 2027, o regime também deverá ser beneficiado pela reforma tributária.
Com informações de WizyThec

