Um modelo matemático proposto há seis décadas acaba de ser solucionado em detalhes por uma equipe internacional de pesquisadores, explicando como estalagmites evoluem em diferentes formatos quando as condições na caverna permanecem estáveis.
O estudo, publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences, reúne cientistas da Universidade de Varsóvia (Polônia), Universidade da Flórida (Estados Unidos), Centro de Pesquisa da Academia Eslovena de Ciências e Artes e Centro Médico Universitário de Liubliana (Eslovênia).
Um único parâmetro controla o crescimento
Segundo o autor principal, Piotr Szymczak, da Universidade de Varsóvia, a variedade de formas pode ser descrita por apenas um fator de controle: o número de Damköhler, que relaciona a taxa de precipitação de calcita ao fluxo de água.
- Gotejamento concentrado e constante – gera estruturas colunares.
- Gotejamento disperso – resulta em topos planos.
- Fluxo elevado ou pingos diretos sobre a ponta – produz formas cônicas, pontiagudas.
Testes em cavernas eslovenas
Para validar a teoria, os pesquisadores aplicaram tomografia de raios X em estalagmites da Caverna de Postojna, a mais visitada da Europa. As imagens confirmaram, com grande precisão, as formas previstas pelas equações, incluindo transições entre topo plano e corpo colunar.
Impacto nos registros paleoclimáticos
Estalagmites são consideradas “arquivos naturais” do clima por registrarem, em suas camadas, variações de precipitação e temperatura. Anthony Ladd, da Universidade da Flórida, destaca que o novo modelo mostra como a geometria — plana, colunar ou cônica — interfere no registro isotópico, permitindo uma interpretação mais confiável de dados climáticos antigos.
Imagem: PytyCzech
Os autores afirmam que esse raro alinhamento entre beleza natural e uma lei matemática clara aprofunda a compreensão sobre a formação de cavernas e pode refinar estudos de mudança climática ao redor do mundo.
Com informações de WizyThec

