Um buraco negro situado a mais de 12 bilhões de anos-luz da Terra, identificado como J0529-4351, surpreendeu pesquisadores ao lançar jatos de gás a velocidades que chegam a 10 mil quilômetros por segundo. O comportamento, observado com instrumentos ópticos de última geração do Observatório Europeu do Sul (ESO), foi detalhado por uma equipe da Universidade Nacional da Austrália (ANU).
Objeto mais brilhante já visto
Apesar de ocupar o centro do quasar mais luminoso conhecido, J0529 tem massa estimada em um bilhão de vezes a do Sol, valor dez vezes menor do que se calculava anteriormente. Segundo o professor associado Christian Wolf, que liderou a descoberta em 2024, o brilho extremo está “empurrando” matéria para fora do buraco negro, gerando os ventos supersônicos registrados.
Indícios sobre a origem dos gigantes cósmicos
A ejeção de gás em alta velocidade oferece pistas sobre a formação de buracos negros supermassivos. Wolf afirma que o novo conjunto de dados reforça a hipótese de que essas estruturas podem ter se originado do colapso de estrelas nos primeiros momentos do universo, dispensando cenários mais exóticos para explicar seu crescimento.
Interferometria abre caminho para novas descobertas
O estudo só foi possível graças à interferometria, técnica que combina a luz captada por vários telescópios para produzir imagens de altíssima resolução. Para o professor Michael Ireland, também da ANU, o método deve transformar campos como a pesquisa sobre o nascimento de planetas em torno de estrelas jovens, permitindo observar processos de formação com detalhes inéditos.
Imagem: Internet
Ao reunir dados precisos sobre J0529, os cientistas esperam elucidar como objetos tão massivos conseguem se desenvolver em tão pouco tempo cósmico, além de refinar modelos que descrevem a evolução do universo primordial.
Com informações de Olhar Digital

