Cientistas da Universidade Federal de Goiás (UFG) e do Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP), desenvolveram um exame que analisa a cera de ouvido para apontar sinais de câncer e condições pré-cancerosas. Batizado de cerumenograma, o método foi descrito na revista Scientific Reports e utiliza espectrometria de massa por cromatografia para rastrear metabólitos presentes no cerúmen.
Os pesquisadores avaliaram 734 voluntários, sendo 531 pacientes oncológicos e 203 pessoas sem diagnóstico de câncer. Nas amostras dos pacientes já tratados no hospital, o teste confirmou a doença e indicou o estágio de evolução. Entre os participantes considerados saudáveis, três apresentaram resultados positivos: dois tinham inflamações hipermetabólicas — uma no cólon e outra nos músculos zigomáticos — e o terceiro mostrou recidiva de um câncer anterior, não detectada por exames convencionais.
O paciente com recidiva passou por nove meses de radioterapia. Após o tratamento, novo cerumenograma apontou a remissão do tumor, reforçando o potencial do exame para acompanhar a eficácia terapêutica.
De acordo com a oncologista Patrícia Beato, responsável pelo estudo no Hospital Amaral Carvalho, o método também pode diferenciar tumores benignos e malignos, além de identificar alterações celulares pré-cancerosas. “Pretendemos levantar informações que poderão ser bastante úteis para a detecção do tipo de câncer por meio do cerúmen”, afirmou em comunicado.
Imagem: fizkes
O hospital paulista coleta atualmente cerca de 100 amostras de cera de ouvido por mês para ampliar a pesquisa. Apesar dos resultados promissores, o cerumenograma ainda é considerado experimental e necessita de novos estudos antes de chegar à prática clínica.
Com informações de WizyThec

